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Fim do tempo de Eduardo no governo e outras da coluna

Adelor Lessa
Por Adelor Lessa 20/12/2018 - 08:11Atualizado em 20/12/2018 - 08:14

Dúvida zero que Criciúma teve muito mais do governo do estado do que teria se Eduardo Moreira (MDB) não estivesse lá como vice-governador e governador.

A via rápida saiu porque Eduardo era vice, fez pressão interna (pesada) e bancou a nomeação do deputado Luiz Fernando Vampiro na secretaria de infraestrutura. Que assumiu com uma missão - concluir a obra.

A conclusão do hospital materno infantil Santa Catarina e a estadualização da sua gestão só saíram porque Eduardo era governador.

São duas obras que confirmam o raciocínio. Mas, outras muitas poderiam ser relacionadas. Inclusive, as que ele vai inaugurar hoje na região.

A ficha vai cair para Criciuma a partir de janeiro, quando estiver fora do núcleo de poder do estado.

 É evidente que Eduardo cometeu equívocos ao longo do tempo, colecionou aliados e também adversários. Mas, fez uma carreira política vencedora.

Só teve duas derrotas, mas conseguiu fazer do limão a limonada nas duas oportunidades.

Na primeira, quando era deputado de primeiro mandato e disputou a prefeitura contra Altair Guidi, que já tinha sido prefeito, era considerado imbatível. Perdeu por 500 votos, consolidou-se como comandante do MDB na cidade, garantiu a reeleição e pavimentou sua eleição para prefeito na sucessão de Altair.

A outra derrota acabou lhe colocando no caminho para chegar ao governo do estado. Porque se tivesse vencido Décio Góes na eleição de 2000, não teria sido vice-governador, eleito em 2002, parceiro de Luiz Henrique da Silveira.

Eduardo fez ontem a ultima coletiva, deve cumprir hoje a ultima agenda oficial na região e vai entregar o cargo no dia 1 de janeiro.

De longe, é o politico de Criciúma que voou mais alto.

 

Troca de bastão

Por coincidência, no momento em que Eduardo sai de cena, e Criciúma fica fora do núcleo de poder do estado, assume um governador de Tubarão.

Acontece a troca de bastão no sul.

Tubarão assume o protagonismo que era de Criciuma.

Governador eleito Comandante Moises está fazendo equipe com maioria de Tubarão. O que é compreensível. São pessoas do ambiente em que vivia.

A missão para Criciúma e seus representantes é não deixar resquícios do bairrismo atrapalhem. É conseguir pavimentar que “são todos do sul”.

 

Nada que tenha que explicar

Enquanto Eduardo Moreira começa a limpar as gavetas, o governador eleito Comandante Moisés (PSL) segue com as nomeações técnicas, quase todas de servidores de carreira. Ontem, mais duas. Uma delas, a presidência da Casan. Para onde Edio Castanhel estava indicado, e bateu na trave.

Mas, tudo isso estava na previsão. Ele faz exatamente o que disse que ia fazer.

Monta o governo que quer. Sem se deixar influenciar. Sem “pitaco" de partido e políticos.

Mantêm o estilo discreto, distante da mídia, mas não fez nada que tivesse que explicar, esclarecer, ou recuar.

É um politico diferente de todos os outros, com posições que impactam, surpreendem, mas que não fogem em nada do seu perfil pessoal.

 

 

 

Déficit menor

O governador Eduardo Moreira (MDB) fez uma avaliação dos quase 11 meses em que esteve à frente do Governo do Estado. Enfatizou o trabalho realizado para o enxugamento da máquina pública, ações na Saúde e Segurança Pública. Essas áreas já foram colocadas como prioritárias lá no início, quando assumiu em 16 de fevereiro. Com o trabalho conseguiu reduzir o déficit do Estado. A previsão, no início deste ano, era que 2018 chegaria ao fim com um saldo negativo de cerca de R$ 2 bilhões e fechará em pouco mais de R$ 500 milhões, mais de R$ 1,4 bi de economia. Moreira atribui essa redução a um governo com gestão.

 

Principal crise no meio do ano

O governador Eduardo Moreira terminará o mandato sem atrasar os salários. O vencimento de dezembro será pago no dia 28, mas confessa que o risco existiu. O período onde a preocupação foi maior e o risco mais iminente foi no meio do ano com a greve dos caminhoneiros. O govenador admite que perdeu noites de sono. Foi aí que tomou a decisão de não buscar a reeleição.

 

Fórmula mágica

Moreira não acredita que o próximo governador terá essa dificuldade. Diz que entrega o governo melhor do que deixou, mas que o principal fator é o aumento da receita do Estado que vem crescendo. O segundo semestre deste ano já vem registrando aumento em relação ao ano passado. Em novembro, foi de 15%, dezembro deve ser parecido. Para ele, o aumento da receita é a fórmula mágica para as ações propostas pelo Estado. Acredita que em 2019 o crescimento passará dos dois dígitos.

 

Decola em 2020

Se 2019 será um ano de recuperação, 2020 será o ano em que Santa Catarina irá decolar novamente. Essa é a avaliação de Eduardo Moreira, que está otimista com a retomada do crescimento do país.

 

Sem devolução

Questionado sobre o repasse do Estado aos outros poderes, Eduardo Moreira se queixou da falta de devolução ou de apenas uma sinalização da Assembleia Legislativa, que registra R$ 40 milhões em caixa. Esse valor poderia ser usado, por exemplo, para quitar os R$ 26 milhões com as Organizações Sociais, agora em dezembro, entre elas o Ideas que está na gestão do Hospital Santa Catarina. Ainda poderia complementar o valor destinado para a Operação Veraneio. O secretário da Fazenda Paulo Eli está com contato com o presidente da Alesc, Silvio Dreveck (PP), e Moreira também deverá fazer a conversa para sensibilizar por uma devolução. Neste sentido, o governador entende que tem que haver uma mudança no repasse do duodécimo, fazendo que essas sobras nem saiam dos cofres do Executivo e possam ser aplicadas em outras áreas. Por outro lado, o Tribunal de Contas fez a devolução de R$ 20 milhões. O governador também elogiou a relação com o Tribunal de Justiça.

 

Compromisso de Aldo

Se a não devolução se concretizar, o atual presidente Silvio Dreveck não cumpre um acordo feito por Aldo Schneider (MDB), que faleceu neste ano quando exercia o cargo de presidente da Alesc. O compromisso era de R$ 30 milhões em devoluções, sendo que R$ 10 milhões foram repassados no meio do ano.

 

Udo mudaria o cenário eleitoral

Na avaliação de Eduardo Moreira, se o candidato do MDB, nas eleições de outubro, tivesse sido o prefeito de Joinville, Udo Döhler, o cenário poderia ser outro. Para Eduardo Moreira, Udo poderia apresentar o novo com experiência e colocaria o MDB no segundo turno com possibilidade real de vitória. Döhler não concorreu porque queria garantia que seria o candidato do MDB ainda em abril, prazo final para que renunciasse à Prefeitura de Joinville.

 

No debate da Som Maior

O governador eleito Comandante Moisés (PSL), que entrou no processo como um desconhecido, chamou atenção de Eduardo Moreira logo no primeiro debate, realizado pela Rádio Som Maior. O debate foi realizado no sábado pela manhã, no domingo à noite, em reunião com integrantes do MDB Moreira fez o alerta.  Porém, a onda PSL, da forma que veio, foi detectada pelos adversários somente uma semana antes do pleito.

 

Erro de estratégia

Para Eduardo Moreira, o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) cometeu um erro de estratégia ao não priorizar uma grande obra de mobilidade em Florianópolis. Um novo acesso à ilha.

 

Arriscado

Eduardo Moreira vê como arriscada a decisão do Comandante Moisés em não nomear um secretário de Segurança Pública, deixando o comando da pasta a cada ano, com revezamento, nas mãos dos comandos de Polícia Civil, Polícia Militar, Bombeiros e Instituto Geral de Perícias. Uma alternativa seria Moisés chamar a responsabilidade de secretário para ele, com o porém de que o cargo de governador já tem uma exigência enorme de quem o exerce, dificultando mais esse acúmulo. Por outro lado, a reforma administrativa apresentada por Moisés agradou o atual governador.

 

4oito

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