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* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito

Celeridade na Justiça e o julgamento de Moisés

Defesa da celeridade não pode servir para atropelar julgamento
Adelor Lessa
Por Adelor Lessa 08/04/2021 - 06:48Atualizado em 08/04/2021 - 07:25

Governador afastado Carlos Moisés escreveu no twitter hoje cedo, 6 da manhã:

"Justiça célere! Santa Catarina e os catarinenses não podem esperar".

Na tese, Moisés escreve o que está na boca do povo.
Faz muito tempo que e o cidadão comum pagador de impostos pede celeridade na justiça.

Os próprios operadores do judiciário falam da necessidade de maior celeridade.
Não são eles os culpados pela demora na tramitação dos processos.
Acontece que as mesas dos juízes estão abarrotadas de processos.
E a cada dia chegam novos.

A estrutura do judiciário não dá conta da demanda.
Seriam necessários mais juizes, e mais servidores.
Talvez novos mecanismos, novas práticas, e mudanças no arcabouço legal.

Só que o Governador afastado Carlos Moisés só lembrou de trazer isso à tona agora, porque é do seu interesse direto.

O grito de Moisés por celeridade na justiça neste momento faz parte do movimento de pressão que está em curso sobre o Tribunal Especial para julgar o quanto antes, a toque de caixa, o processo de impeachment que pode cassar o seu mandato.

Enquanto a demora no andamento de processos na justiça preocupava, incomodava e atrapalhava apenas a vida do cidadão comum pagador de impostos, o Governador nunca tocou no assunto.
Nunca dedicou uma linha das suas publicações diárias ou um minuto dos seus discursos para tratar disso.

O que Moisés e aliados querem hoje é atropelar o Tribunal Especial de impeachment porque calculam que quanto mais rápido for o julgamento, menor o risco de quebrar o acordo político feito com os deputados do Tribunal para salvar o seu mandato.

E a leitura até faz sentido.

Porque quanto mais tempo de julgamento, mais tempo do assunto no ar, e mais discussões, informações novas, depoimentos, dados informaçoes, maior o risco de os deputados seguirem os votos técnicos dos desembargadores que integram o Tribunal do impeachment. Até por pressão da vóz das ruas.

Porque quanto mais tempo de conversa na rua sobre os r$ 33 milhões que sumiram, maior será a cobrança (e a pressão).

O que Moisés quer é julgamento rápido para que isso seja logo retirado da pauta, e que o caso do rombo de r$ 33 milhões seja jogado para debaixo do tapete.

Celeridade na justiça, sim. Todos querem. Isso interessa a todos

Mas, não pode ser uma tese levantada só para salvar o chefe do governo que teve desvio de r$ 33 milhões.

4oito

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