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A eleição de 1982 em Criciúma e a importância da sublegenda

Texto publicado no Toda Sexta desta semana
Adelor Lessa
Por Adelor Lessa 03/03/2021 - 06:00Atualizado em 03/03/2021 - 06:15

Na eleição para prefeito de Criciúma em 1976, o arquteto Altair Guidi foi eleito prefeito pela Arena.

Era um jovem político, na sua primeira experiência eleitoral. E a partir dalí, fez uma carreira vencedora.

O engenheiro José Augusto Hülse naquela eleição foi candidato a vice-prefeito na chapa do MDB.

Altair assumiu e chamou Hülse para ser o seu secretário de obras, o "tocador de obras".


Durante o mandato (que foi de seis anos), Altair deu sinais evidentes que queria fazer de Hülse o seu candidato a sucessão.

Mas, a Arena se definiu por outros candidatos.

Hülse voltou ao MDB, se filiou na véspera do encerramento do prazo.

E em 1982 foi eleito prefeito.

 

Mas, aquela eleição teve fatos interessantes.

José Augusto Hülse, Lirio Rosso, Altair Guidi, Nereu Guidi, Manique Barreto, políticos importantes da historia de Criciúma, foram protagonistas do processo.

José Hülse, foi prefeito eleito. Lirio Rosso, presidente do partido de Hülse e candidato na sublegenda.
Altair Guidi, o prefeito que fez um grande mandato, mas não conseguiu eleger como sucessor o seu primo, Nereu.
Manique, que havia sido um grande prefeito, foi o candidato da sublegenda do partido de Nereu.

Mas, primeiro, nos dias de hoje inevitável a pergunta: o que vem a ser sublegenda?
Foi um instituto da legislação eleitoral brasileira criado durante o regime militar.

Por quê?
Em 1965, os 13 partidos que existiam foram extintos e o Governo Militar criou dois novos. Arena e MDB.
E só os dois tinham permissão para “existir”.
Um era o partido do governo (Arena) e o outro da oposição.

Como o Governo Militar levou para a Arena os políticos do PSD e UDN, foi criada a sublegenda para evitar dissidências nas eleições.
Cada partido poderia apresentar mais de um candidato a prefeito. No final, somavam-se os votos dos candidatos de cada partido.
O partido com mais votos era o vencedor, e o eleito era o candidato com maior votação.

Detalhe: os dois candidatos da Arena em 1982 eram do antigo PSD. Enquanto a família de José Hulse, no MDB, era da antiga UDN.

Na urna, os dois candidatos do MDB a prefeito de Criciúma fizeram 26.323 votos, e os dois da Arena somaram 26.054 votos. Diferença de apenas 269 votos.

Ainda era votação em cédula e apuração voto a voto. Demorava três a quatro dias. Transmissão pelo rádio.
A reta final da contagem de votos foi emocionante. A cidade inteira ligada.

A apuração feita no City Clube, nos altos do bairro Comerciário. Quem não estava lá, tinha o ouvido colado ao rádio.

MDB e Arena nunca distanciaram na contagem dos votos. Alternavam a liderança. Diferença sempre apertada.

Até que Hülse se afastou de Nereu, e ficou sinalizada a vitória. O MDB começou a preparar a festa.
Mas, parou em seguida. Porque quase deu virada na soma da sublegenda.

José Hülse, MDB, fez vantagem de mais de 2 mil votos sobre Nereu Guidi, Arena, segundo colocado.
São que Manique, Arena, fez quase 1.800 votos mais que Lirio, MDB.

Resultado da eleição saiu no final da madrugada.
José Hülse e Lirio Rosso foram levados pelo time do MDB para a praça Nereu Ramos e fizeram o primeiro “comício da vitória”.

Lá, foram colocados em cima de um caminhão para correr o município.

José Hülse assumiu em 1983, ficou seis anos no cargo, e foi um dos melhores prefeitos do MDB naquele mandato no estado.
Foi quem começou a implantar postos de saúde nos bairros e fez o primeiro modelo de programa Saúde da Familia no país.
Pelo que fez na prefeitura, foi eleito depois vice-governador do estado.

 

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