O Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (Cimvi) já recicla entre 20% e 22% do peso total de resíduos plásticos gerados nos 22 municípios que integra, mais de cinco vezes a média nacional, de apenas 4%. O modelo, batizado de Vale Reciclar, foi apresentado a prefeitos e empresários do Sul de Santa Catarina durante visita técnica a Timbó e é apontado como referência para o projeto que a região pretende implantar.
Segundo Fernando Tomas Celli, diretor executivo do Cimvi, o programa começou a rodar em novembro de 2019, mas só foi efetivamente implantado a partir de 2021, após um ano de pandemia. Desde então, o modelo padronizou orientações sobre separação e descarte de resíduos entre professores, agentes de saúde e veículos de comunicação dos 22 municípios participantes. "Todos os professores de todas as escolas dos 22 municípios falam a mesma coisa, por isso há treinamento, há capacitações", afirmou.
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Consórcio mira até 98% de aproveitamento em poucos meses
De acordo com Celli, as usinas para processamento da fração orgânica e do rejeito plástico estão em fase final de construção, com previsão de conclusão em três a quatro meses. Com isso, a expectativa é elevar o índice de recuperação de resíduos, hoje na casa de 30% a 32%, para entre 95% e 98%. "É possível a partir do momento que você tem uma rastreabilidade desse caminho", disse, ao comentar se a meta de reaproveitar 100% do plástico coletado, defendida pelo Sul do estado, é viável.
Indústria de descartáveis também acompanha o processo
Representantes da indústria de plásticos descartáveis também integraram a comitiva. Segundo um deles, da empresa Copaza, de médio porte e com 140 funcionários, a obrigatoriedade de logística reversa para o setor existe desde 2015, mas o tema avançou pouco até agora. "A urgência já se criou há tempo. Foi uma coisa que foi se deixando passar, e eu acho que a gente meio que tratou com uma certa procrastinação do processo", afirmou.
O prefeito de Orleans, Fernando Cruzetta, que lidera a comitiva, destacou que o modelo observado em Timbó reforça a viabilidade do projeto já aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente para o município. Segundo ele, embora o foco inicial seja o plástico, o projeto deve evoluir para contemplar outros tipos de resíduos gerados nas residências, como papel, vidro e material orgânico. "A gente tem essa consciência de que o plástico foi a matéria para a gente aprovar o projeto, mas vamos ter que estar trabalhando com todo tipo de material de descarte", afirmou.
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