Alessandro Manzoni escreveu Os Noivos ( I Promessi Sposi ), romance histórico publicado em 1827 e um dos maiores clássicos da literatura italiana. A narrativa se passa na Lombardia em 1628 e descreve a peste que se abateu sobre Milão dois anos após. O sucesso do livro foi imediato, sendo considerado o mais famoso e lido em língua italiana.
A obra serviu de inspiração no mundo da arte, como a ópera I Promessi Sposi, de Amilcare Ponchielli e várias versões cinematográficas. Manzoni faleceu em 1873 aos 88 anos. Sua vida foi marcada por tragédias pessoais. A morte da primeira esposa causou grande abalo emocional e sete dos nove filhos faleceram antes dele. Está sepultado no Cemitério Monumental de Milão, um museu a céu aberto. Verdi, profundo admirador do escritor, compôs um Requiem em sua homenagem. Tive a ventura de assistir a uma apresentação desta magistral peça musical na Igreja de Saint Sulpice em Paris.
Verdi: Messa da Requiem – Recordare youtube/classic&opera
Em1630 a peste atingiu também Veneza, matando cerca de 50 mil pessoas. Os venezianos prometeram construir uma igreja caso a doença terminasse. E cumpriram a promessa em 1631, erguendo a famosa Santa Maria della Salute, bem perto da Praça São Marcos mas do outro lado do canal. Até hoje Veneza celebra no dia 21 de novembro a Festa della Salute, para lembrar o fim da tragédia. Todo ano uma ponte provisória construída sobre barcaças no Canal Grande permite o acesso à Basílica.
Veneza já havia sido atingida em 1576 por um outro episódio da doença, causando a morte de Tiziano Vecellio, um dos maiores pintores de todos os tempos. O grande artista está sepultado na Basílica Franciscana de Santa Maria Gloriosa dei Frari, bem ao lado da Scuola Grande di San Rocco, com obras magistrais de Tintoretto.

Túmulo de Tiziano na Basílica dei Frari

Sala Capitular da Scuola Grande di San Rocco, conhecida como a Capela Sistina de Veneza, com obras-primas de Tintoretto I Fonte: viaggiarevenezia.it
Mas a maior de todas foi a Peste Negra de 1348, que causou a morte de um terço da população europeia. Em algumas cidades protegidas por muralhas e com construções compactadas, como Siena, a tragédia foi ainda maior, acometendo a metade dos habitantes. Os irmãos Lorenzetti, grandes pintores medievais, morreram durante a epidemia. Pietro, o irmão mais velho, pintou o interessante afresco a “Madonna dei Tramonti” na Basílica inferior de São Francisco, em Assis. Nele a virgem Maria pergunta ao menino Jesus qual é o seu preferido, entre São Francisco e São João evangelista. Confira na imagem a resposta à pergunta.
A rivalidade entre Siena e Florença e a disputa pela hegemonia toscana levou a ampliação do Duomo de Siena, com seu maravilhoso piso de mármore em mosaico, a maior parte do tempo coberto por placas de proteção. A catedral seria a maior da cristandade. A Peste Negra causou um colapso financeiro e a obra não foi concluída. Siena nunca mais se recuperou da tragédia mas permanece a estrutura inacabada do que seria a enorme nave, um testemunho do seu glorioso passado.
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Decameron. 100 contos escritos por Boccaccio que se refugiou com seus amigos nos arredores de Florença em 1348 para escapar da Peste Negra
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A Peste, de Albert Camus, que narra um surto da epidemia que se abateu sobre Oran, na Argélia
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Crônicas dos Anos da Peste, série de textos de David Coimbra, com título inspirado na obra de Defoe. O brilhante autor, precocemente falecido, morou em Criciúma onde cultivou grandes amizades no meio jornalístico
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A Nau dos Insensatos, no blog Benito Gorini do portal 4oito. Escrita na véspera das eleições em setembro de 2022 mas bastante atual
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