Uma tecnologia desenvolvida pela empresa gaúcha Veiga Sul, de Novo Hamburgo, está sendo usada em Timbó para transformar em matéria-prima materiais plásticos que, até então, não tinham valor comercial e eram descartados de forma inadequada. A solução foi apresentada durante visita técnica do prefeito Orleans Fernando Cruzetta e empresários do Sul de Santa Catarina ao Consórcio CIMVI, nesta quinta-feira (17).
De acordo com Mauro Alves da Veiga, diretor da empresa Veiga Sul, a tecnologia surgiu de um olhar diferente sobre resíduos que misturam materiais distintos, como diferentes tipos de plástico e tecido, e que por isso não interessam à cadeia tradicional de reciclagem.
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"A gente resolveu isso através de inovação em equipamentos. A gente desenvolveu um equipamento que mistura, incorpora esses materiais, transforma isso num termoplástico", explicou.
Material vira insumo para pavers, meios-fios e bancos
O processo funde as moléculas de materiais como copos plásticos, embalagens de salgadinhos e outros compostos de múltiplas camadas, transformando-os em um novo composto rústico.
Segundo o representante, o resultado pode ser usado na fabricação de pavers, meios-fios, canos e bancos de praça. "A gente tá salvando e ajudando essas empresas a dar um destino correto nesse material", afirmou Mauro.
Além da linha voltada ao plástico seco, a empresa também instala em Timbó um equipamento chamado desidratador, que separa a fração orgânica dos resíduos sintéticos no lixo doméstico. Segundo o representante, cerca de 50% do peso do lixo residencial é composto por material orgânico, formado majoritariamente por água.
A fração orgânica extraída é encaminhada a parceiros que trabalham com biodigestão, gerando gás metano usado como combustível ou fonte de energia, enquanto a fração sintética segue para o mesmo processo de transformação em produtos rústicos.
Santa Catarina é vista como estado mais receptivo à tecnologia
O diretor da Veiga Sul afirmou que Santa Catarina está mais avançado na adoção dessa tecnologia do que o próprio Rio Grande do Sul, estado de origem da companhia.
"Santa Catarina abraçou muito mais, foi muito mais receptiva a esse nosso projeto. Eu diria que Santa Catarina é o Estado, talvez o Estado mais receptivo a essas tecnologias do Brasil", disse.
A tecnologia foi apresentada como referência para municípios do Sul catarinense que buscam ampliar o reaproveitamento do plástico, como Orleans, cujo prefeito, Fernando Cruzetta, integrou a comitiva que visitou Timbó.
Segundo Cruzetta, 31% da arrecadação do município vem do setor plástico, o que reforça o interesse local em fortalecer a economia circular na região.
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