O relatório que aponta uma dívida superior a R$ 20 milhões da Prefeitura de Criciúma com as empresas do transporte coletivo acende um alerta para o bolso dos criciumenses. O documento elaborado pela Agência Intermunicipal de Regulação de Serviços Públicos (Agir) aponta para a necessidade de reequilíbrio financeiro do contrato do transporte coletivo de Criciúma.
O presidente do Conselho Municipal de Transporte Coletivo, Eduardo Topanotti, explica que as duas saídas previstas indicam custos maiores. “De qualquer forma, vai afetar o bolso da população em geral de Criciúma”, alerta.
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O Conselho Municipal alega que teve acesso ao relatório apenas nesta semana. No momento, tanto a prefeitura quanto o Consórcio CriBus ainda estão dentro do prazo de 15 dias úteis para se manifestarem, o que impede uma definição sobre o valor final da tarifa ou sobre quem arcará com o custo adicional.
“O primeiro passo é aguardar. Os técnicos da prefeitura e também da CriBus ainda estão avaliando o documento. Depois desse período, o conselho deve se reunir, em princípio no dia 1º de setembro, para discutir o tema”, explica.
Tarifa técnica pode chegar a R$ 9,35
No relatório encaminhado ao Conselho Municipal de Transporte, a Agir apontou que a tarifa técnica necessária para manter o equilíbrio econômico-financeiro do contrato passou de R$ 6,08 para R$ 9,35.
Atualmente, a tarifa paga pelos usuários permanece em R$ 5,25. A diferença entre o valor cobrado dos passageiros e a tarifa técnica vem sendo compensada pelo município por meio de subsídios.
Caso o reajuste seja confirmado, a prefeitura terá duas alternativas: repassar integralmente o aumento ao usuário ou ampliar o subsídio destinado ao sistema.
“Ou o usuário paga mais pela passagem, ou a prefeitura terá que complementar esse valor com recursos públicos, que vêm dos impostos pagos pela população”, destaca Topanotti.
Apesar da possibilidade de aumento, o presidente do conselho reforça que o processo ainda está em fase recursal e que não há decisão sobre qual caminho será adotado.
Em nota, a Prefeitura de Criciúma não reconhece a dívida, mas admite a necessidade de reavaliar o contrato com a concessionária.
"O relatório da agência não aponta valores de dívida por parte do Município, mas indica a necessidade de um reequilíbrio do contrato de agora em diante. Com base nisso, o Município analisa tecnicamente as conclusões apresentadas e segue em tratativas com a concessionária do transporte coletivo. A Prefeitura de Criciúma trabalha com foco na continuidade da prestação do serviço à população, na segurança jurídica e na preservação de uma das menores tarifas do transporte coletivo em Santa Catarina", diz o texto.
Conselho defende acordo para evitar impacto maior
Topanotti afirma que o Conselho Municipal de Transporte espera que prefeitura e concessionária cheguem a um entendimento antes de qualquer decisão definitiva. Segundo ele, um reajuste elevado pode reduzir o número de passageiros e agravar a situação do sistema.
“O conselho preza pela harmonia. Esperamos que as partes encontrem o melhor acordo possível para que o usuário não tenha que desembolsar um valor muito alto. Uma passagem cara afasta passageiros e não é boa para nenhum dos lados”, conclui.
Entenda a crise no transporte coletivo de Criciúma
O desequilíbrio financeiro do sistema passou a ser discutido publicamente em 7 de abril de 2026, durante reunião do Conselho Municipal de Transportes. Na ocasião, representantes da CriBus informaram que o contrato acumulava uma dívida estimada em R$ 20 milhões, com possibilidade de chegar a R$ 30 milhões até o fim da concessão.
Segundo o consultor da empresa, Ronaldo Gilberto de Oliveira, o transporte operava com um déficit mensal de aproximadamente R$ 1,7 milhão. A concessionária alegava que seriam necessários R$ 1,5 milhão em subsídios por mês para equilibrar o sistema, enquanto o repasse municipal girava em torno de R$ 500 mil.
Durante a reunião, representantes do Sindicato dos Motoristas cobraram esclarecimentos da Agir sobre os cálculos apresentados e a situação financeira do contrato.
Apreensão de ônibus agravou a preocupação com o serviço
A crise ganhou um novo capítulo em maio de 2026, quando cerca de 20 ônibus da Cribus foram apreendidos judicialmente por atraso no pagamento dos financiamentos.
A operação teve início em 25 de maio, com o recolhimento de 13 veículos, afetando 15 linhas do transporte coletivo. O Município antecipou R$ 5 milhões, exclusivamente para o pagamento do financiamento bancário da frota, permitindo a liberação dos veículos apreendidos.
Na época, a Diretoria de Trânsito e Transportes (DTT) informou que o risco de apreensão já era conhecido e que buscava uma solução junto à concessionária para evitar novos impactos na prestação do serviço.
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