A paralisação nacional dos caminhoneiros, iniciada nesta segunda-feira (13), pode trazer reflexos diretos para o Sul de Santa Catarina caso a Medida Provisória (MP) 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, não seja votada pelo Senado. Lideranças do movimento afirmam que, se não houver avanço nas negociações, a mobilização poderá ser intensificada nos próximos dias, com interrupções no escoamento de cargas em rodovias, portos, terminais e indústrias.
Na região, um dos principais pontos de atenção é o Porto de Imbituba considerado o maior complexo logístico e portuário do Sul catarinense. O porto é estratégico para a movimentação de cargas por integrar os modais rodoviário, ferroviário e marítimo, além de ser o porto público com maior profundidade da Região Sul, capaz de receber embarcações com calado de até 14,5 metros.
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Segundo o presidente do Sindicato dos Transportes Rodoviários Autônomos (Sindicam) de Três Cachoeiras (RS), Jair Volnei Marques, o movimento é resultado de anos de negociações sem uma solução definitiva para o cumprimento do piso mínimo do frete."Desde 2018 dialogamos com todos os governos: começou com Michel Temer, passou pelo governo Bolsonaro e agora segue com o governo Lula. Para nós, não seria necessário chegar novamente a esse ponto, considerando a quantidade de reuniões e discussões realizadas", afirmou uma liderança do movimento.
Os caminhoneiros alertam que existe a possibilidade de uma paralisação mais ampla caso a medida provisória perca a validade sem ser aprovada. "É possível. É um risco iminente. Sem a votação e a aprovação da Medida Provisória, o caminhoneiro perde praticamente todos os direitos conquistados após a paralisação de 2018. Vivemos sempre sob a sombra desse fantasma."
Bloqueios ampliados
A expectativa é que, sem avanço no Congresso Nacional, os bloqueios sejam ampliados. "A intenção é manter a paralisação. Continuar interrompendo, de forma alternada ou permanente, o tráfego e o escoamento de cargas em portos, terminais e indústrias. O objetivo é ampliar os pontos de mobilização. Infelizmente, mais uma vez o setor de transportes precisa recorrer a esse tipo de manifestação."
Caso isso ocorra, os impactos podem atingir diretamente a população, com possíveis atrasos no abastecimento de supermercados, postos de combustíveis, indústrias e no transporte de mercadorias em toda a região Sul de Santa Catarina.
Os representantes reconhecem que a mobilização provoca transtornos para motoristas e empresas, mas defendem que o movimento é necessário para pressionar o poder público. "A população acaba enfrentando bloqueios e transtornos nas rodovias, mas entendemos que esse é o único instrumento capaz de interromper o diálogo para forçar a retomada das negociações."
Como funciona a MP do Frete
A Medida Provisória 1.343/2026 endurece as regras de fiscalização e as penalidades para quem descumprir a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. A proposta foi elaborada para reforçar a proteção aos caminhoneiros autônomos e evitar novos conflitos na categoria.
Entre as principais mudanças estão a obrigatoriedade da emissão do Código Identificador de Operação de Transporte (Ciot) em todas as operações de transporte vinculadas ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), além do aumento das penalidades para empresas que descumprirem a legislação.
As multas previstas variam de R$10,5 mil até R$1 milhão em casos de reincidência. A medida também prevê a suspensão ou o cancelamento do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) para empresas infratoras.
Outro ponto da proposta estabelece um piso salárias de R$5 mil para motoristas de longa distância e permite que multas aplicadas anteriormente sejam convertidas em advertências em determinadas situações.
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