Não falo nem entendo alemão mas consigo ler alguma coisa. Trabalhei por quatro anos na famosa Clínica Sadalla Amin Ghanen em Joinville e tentei aprender alemão. Mas sempre que tentava falar era corrigido pelos puristas da língua. Acabei desistindo e o trauma durou até hoje.
Conta a lenda que Carlos V, imperador do Sacro-Império Romano Germânico, falava francês com os diplomatas, italiano com as cortesãs e alemão com os cavalos. Mozart pretendia compor uma ópera em alemão mas não obteve o apoio dos italianos da corte por julgarem a língua “muito rude”. No entanto o imperador José II aprovou a ideia e surgiu “O Rapto do Serralho”, a primeira ópera séria do genial compositor austríaco.
E tive uma outra experiência frustrante. Estava em Berlim e pretendia ir até Dresden - a Pérola do Elba - e visitar o seu magnífico centro histórico, totalmente reconstruído depois dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Me dirigi à recepção do hotel e perguntei em inglês sobre o caminho para Dresden. O rapaz me respondeu que não tinha entendido . Repeti “Dresden” ele continuou afirmando que não havia entendido. Escrevi Dresden e ele disse: “Oh, Drisden.” Vai tomar banho, para não dizer algo pior.
Aliás, os brasileiros têm uma maior facilidade para entender espanhol e italiano, línguas com raízes latinas mais próximas do português. O francês já é mais difícil. Isto se deve a grande diversidade fonética de nossa língua, com sons que não existem em outros idiomas. Já o alemão, apesar de muito difícil para nós, é uma língua muito precisa, com regras gramaticais e fonéticas muito claras, ao contrário do inglês, onde as palavras podem ser pronunciadas de modo diferente. Talvez por isso a dificuldade de entender quando falamos errado, mesmo quando o erro é mínimo. Mas acho que eles exageram.
Na realidade tenho grande apreço pela cultura alemã, com grandes escritores, filósofos, pintores e músicos. Além disso a determinação germânica, aliada a alta tecnologia, permitiu a reconstrução de várias cidades devastadas nas grandes guerras. Sem falar na excelência dos carros, no pentacampeão Schumacher, na tetracampeã Alemanha (aquele 7x1...). Por isso resolvi aprender um pouco do idioma.
O Bombardeio de Dresden I. Fonte: Instagram @historiou
A propósito caros leitores, vocês sabem o que significa “Entschuldigung”? Esta palavra impronunciável significa simplesmente ”desculpa”. Creio que é o termo que o orgulhoso povo alemão se utiliza na tentativa de se desculpar de alguma coisa. Afinal ninguém vai entender mesmo.
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“Alemão Sem Mestre”, de Pandiá Pându, pseudônimo de Albertino Alves de Almeida, poliglota e entusiasta de Esperanto. O meu amigo Agostinho Staub me emprestou o livro. Pretendo devolvê-lo “mein freund” , assim que aprender o idioma. Pode demorar um pouco;
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O livro “Graded German Reader” , estudando ao mesmo tempo inglês e alemão. Editora D.C. Heath and Company, vários autores;
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“Crônicas”, livro de Gundo Steiner, um dos “tedeschi” mais cultos da nossa região, precocemente falecido. Se estiver interessado pesquise “Gundo Steiner e a ACLe” no blog Benito Gorini do Portal 4oito;
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O filme “Amadeus”, do diretor Milos Forman, com a célebre cena “o alemão é muito rude para uma ópera”
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