A proibição da União Europeia à importação de mel brasileiro acendeu um alerta entre os apicultores catarinenses. O veto, que entra em vigor em 3 de setembro, preocupa o setor, que vê riscos para a comercialização da produção e para os preços pagos aos produtores justamente após uma safra histórica.
Em entrevista ao Portal 4oito, o presidente da Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), Agenor Catasgna, afirmou que a medida pode trazer impactos não apenas para Santa Catarina, mas para toda a cadeia produtiva nacional.
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Segundo ele, a preocupação surge justamente em um momento positivo para a produção. A última safra foi considerada uma das melhores dos últimos dez anos, e grande parte do mel já está armazenada à espera de comercialização.
"Nós esperamos que até setembro o país tome alguma solução, porque do jeito que está vai dificultar muito pra gente", afirmou Agenor.
Setor teme impacto nas exportações
De acordo com o dirigente, cerca de 70% de todo o mel produzido no Brasil é destinado ao mercado externo. Apesar do veto europeu, ele destaca que a maior preocupação do setor atualmente está nos Estados Unidos, devido às elevadas taxas impostas ao produto brasileiro.
Agenor explicou que a produção segue em bom ritmo, mas o cenário internacional gera incertezas sobre os preços e a capacidade de escoamento da safra.
Entre as preocupações dos produtores estão:
- Possível queda no valor pago pelo mel;
- Dificuldade para exportação da produção estocada;
- Impactos nos mercados internacionais;
- Falta de definição sobre medidas que serão adotadas pelo governo brasileiro.
Entenda a decisão da União Europeia
A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar mel, carnes, peixes e tripas para os países do bloco. A decisão foi oficializada em publicação no Diário Oficial da União Europeia e passa a valer a partir de setembro.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que toda a cadeia produtiva atende às exigências sanitárias adotadas pelo bloco, especialmente em relação ao controle e à rastreabilidade do uso de medicamentos antimicrobianos.
As autoridades europeias ressaltam que a medida não está relacionada à contaminação dos produtos brasileiros. O principal questionamento é regulatório e envolve certificações sanitárias, documentação e mecanismos de controle adotados ao longo da cadeia produtiva.
Para voltar a exportar ao mercado europeu, o Brasil precisará demonstrar que atende integralmente às exigências estabelecidas pela União Europeia, por meio de sistemas mais rigorosos de rastreabilidade e fiscalização.
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