A entrada de roupas e produtos vendidos por plataformas chinesas de comércio eletrônico já pesa no caixa e na rotina das indústrias têxteis catarinenses. Diante da queda nas vendas e dos custos de produção no Brasil, empresas do setor avaliam reduzir operações e até transferir parte da fabricação para o Paraguai.
O alerta foi feito pela empresária Grasiela Moretto, diretora executiva da UFO Way. Ela sustenta que a medida provisória do governo federal, que flexibilizou a taxação das compras internacionais, apelidada de “MP das blusinhas”, representa um “desserviço” para a produção nacional.
"Nós não estamos mais competindo com as empresas do nosso lado, estamos competindo com o mundo. Só que a nossa carga tributária só aumenta, enquanto o produto chinês entra no país pagando bem menos", destaca Grasiela.
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Comércio parado e risco de demissões
Os efeitos dessa importação em massa de produtos estrangeiros já chegaram ao caixa das empresas da região de Criciúma. Com os grandes varejistas nacionais vendendo menos ou optando por importar direto da Ásia para conseguir preços mais baixos, quem fabrica no Brasil sente as consequências.
"O mês de junho foi terrível para o varejo de moda. Julho segue no mesmo ritmo e a previsão para agosto não é diferente. A cadeia inteira está sofrendo e a única opção que resta para a indústria é cortar despesas e enxugar a operação", alertou a diretora.
Grasiela explicou ainda que muitas indústrias de Santa Catarina estão buscando alternativas para sobreviver, como migrar parte da produção para o Paraguai, onde os custos e incentivos fiscais são mais favoráveis.
Futuro incerto no Congresso
A MP das blusinhas é uma medida temporária e tem validade até setembro, mas o setor não demonstra otimismo com uma possível mudança no cenário, principalmente por ser um ano eleitoral.
Grazi lembrou a mobilização que empresários do setor fizeram em Brasília para tentar igualar as regras do jogo: "Fomos de gabinete em gabinete tentando mostrar a realidade da indústria brasileira, enquanto comitivas dos marketplaces chineses faziam o mesmo movimento do outro lado. Foi uma luta muito dura", finaliza.
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