Todos os grandes impérios que dominaram o mundo acabaram sucumbindo. A única diferença foi o tempo de permanência no poder. O Império Romano após cinco séculos de domínio acabou não resistindo às sucessivas invasões de hunos, ostrogodos e visigodos. Portugal e Espanha, as potências das grandes navegações, não duraram muito tempo. A derrota da Invencível Armada Espanhola de Felipe II para Elisabeth I da Inglaterra selou o destino do país ibérico. O mesmo ocorreu com Napoleão, gênio militar vitorioso em inúmeras batalhas mas derrotado em Waterloo. O poderoso Império Otomano, ao se aliar às derrotadas Potências Centrais, também se extinguiu na Primeira Guerra Mundial.
Estes são alguns dos inúmeros exemplos mas um muito interesse ocorreu com Creso, o último rei da Lídia, região da Ásia Menor, correspondendo à Turquia atual. Rei poderoso e imensamente rico, governou de 560 a 546 a.C. Sua riqueza era proveniente da exploração das areias auríferas do rio Pactolo, onde, segundo a lenda, o rei Midas lavou as mãos para se livrar da “maldição do toque de ouro”, transferindo para o rio esta riqueza. Graças à sua grande fortuna financiou a construção em Éfeso do Templo de Ártemis – a Diana dos Romanos – uma das sete maravilhas do mundo antigo. Na mitologia grega Ártemis era a deusa da caça, da natureza e da lua, dando origem ao nome da recente missão espacial norte-americana ao satélite da Terra.
Quando Sólon, legislador e poeta ateniense - um dos sete sábios da Grécia - o visitou, Creso perguntou quem era o homem mais feliz da terra. Do alto da sua arrogância e prepotência julgou que seria o nomeado. No entanto o sábio respondeu que ninguém pode ser considerado feliz até o dia de sua morte, pois a sorte pode mudar a qualquer momento. Pretendendo entrar em guerra contra o rei persa Ciro II, o Grande, consultou o famoso oráculo de Delfos. Obteve a resposta que um grande Império seria destruído. Vaidoso e narcisista julgou que ele seria o vitorioso. No entanto sofreu derrota esmagadora, que determinou o fim do seu Império. Delfos, ao ser questionado, respondeu que não havia errado. Um grande exército seria destruído, o do próprio Creso. Isto nos leva a considerar a ambiguidade de muitas previsões.
E atualmente uma situação semelhante está ocorrendo com o belicoso presidente dos Estados Unidos. Muitos analistas estão afirmando que o maior Império da atualidade corre grande risco de perder sua hegemonia, pelas atitudes erráticas, intempestivas e incoerentes do megalomaníaco Trump e pelo crescimento da China. E poderíamos acrescentar o adjetivo deselegante pela descortesia com Georgia Meloni no recente encontro do G7 em Évian-les-Bains, charmosa cidade localizada às margens do Lago Léman, o maior da Europa Ocidental. Tive a oportunidade de “tentar a sorte” em seu famoso Cassino, onde perdi alguns euros.
Além disso, o apoio incondicional ao genocida Netanyahu, que matou milhares de crianças, mulheres, idosos e agentes de saúde, bombardeando escolas, edifícios e hospitais em Gaza, Teerã e Líbano, tornam a situação ainda mais grave. É evidente que são totalmente injustificáveis as mortes de 1200 judeus em atos terroristas do Hamas e que Israel tinha o direito de se defender. Mas não matando civis inocentes. Um ato bárbaro não justifica outro, e em escala bem maior.
Trump “cruzou o Rubicão”, uma decisão muito arriscada. Se não der certo corre grande risco de perder a maioria no Congresso nas eleições de novembro próximo. E de sofrer impeachment ou a perda do mandato nas eleições de 2028. E não sabemos quanto tempo vai durar o cessar-fogo, constantemente sabotado por Israel que não tem interesse pelo fim da guerra. Recentemente recebeu grande lição nos discursos irônicos, sutis e bem-humorados do rei Charles III na Casa Branca e no Capitólio, sede do Congresso americano.
Alea jacta est.
P.S. Ainda bem que a Argentina perdeu a final, após todo o favorecimento durante a copa e a clara intromissão de Trump, que certamente preferiria Messi campeão.
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