A proposta dos Estados Unidos de ampliar as tarifas sobre produtos brasileiros pode afetar diretamente 21% das exportações nacionais destinadas ao mercado norte-americano e gerar impactos sobre empregos, renda e atividade industrial no país.
O alerta foi feito nesta terça-feira (2) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
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Segundo o ministro, os setores mais vulneráveis à medida são aqueles com maior valor agregado, especialmente os segmentos de máquinas e equipamentos industriais. Também aparecem entre os mais expostos os setores de produtos plásticos, calçados, madeira beneficiada, papel cartão, ferro fundido, peixes e crustáceos.
A preocupação do governo ocorre após a divulgação de um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que propõe a aplicação de novas tarifas sobre produtos importados de dezenas de países, incluindo o Brasil.
O relatório cita supostas falhas no combate ao comércio de produtos associados ao trabalho forçado e prevê sobretaxas que variam entre 10% e 12,5% para diferentes países. No caso brasileiro, a proposta apresentada pelo USTR prevê uma tarifa adicional de 12,5%.
Taxação pode chegar a até 25%
Paralelamente, autoridades brasileiras também acompanham a possibilidade de uma taxação ainda mais ampla, de até 25%, sobre determinados produtos nacionais exportados aos Estados Unidos.
Durante coletiva em Brasília, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, Márcio Rosa afirmou que o governo seguirá defendendo os interesses econômicos brasileiros e buscando o diálogo com as autoridades norte-americanas.
O ministro também ressaltou que temas ligados à soberania nacional não estarão na mesa de negociações. Entre eles, citou o sistema de pagamentos instantâneos Pix, que, segundo ele, não será objeto de qualquer concessão nas tratativas com Washington.
De acordo com o governo federal, os canais diplomáticos e técnicos entre os dois países permanecem abertos. Desde encontros realizados entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, equipes dos dois governos vêm mantendo reuniões frequentes para discutir questões comerciais.
O USTR informou que receberá manifestações públicas sobre a proposta tarifária até 6 de julho. Uma audiência pública para discutir o tema está marcada para o dia 7 de julho.
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