Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...
FIQUE POR DENTRO DE TODAS AS INFORMAÇÕES DAS ELEIÇÕES 2024!

Pesquisa registra 39 espécies de aves e indica regeneração de área verde do IFSC em Criciúma

Os alunos também avistaram um lagarto teiú e um gambá de orelha branca

Redação Criciúma, SC, 06/07/2024 - 13:23 Atualizado em 06/07/2024 - 14:41
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Quer receber notícias como esta em seu Whatsapp? Clique aqui e entre para nosso grupo

Um trabalho desenvolvido por estudantes do curso técnico em Meio Ambiente do IFSC Câmpus Criciúma demonstra a importância da preservação de matas nativas urbanas. Depois de dois meses de observações, os estudantes registraram a presença de 39 espécies de aves na área verde da instituição, localizada no bairro Vila Rica. Os resultados da pesquisa indicam que o local se encontra preservado e em estádio médio de regeneração.

Coordenado pela professora Erica Benincá, o trabalho foi desenvolvido pelos estudantes Johnatan Mendes e Giovana Rozeng, como trabalho de conclusão do curso técnico em Meio Ambiente. Os alunos realizaram seis momentos de observação presencial, além da instalação de quatro câmeras de disparo automático, entre os meses de setembro e outubro de 2023, na área verde localizada nos fundos do IFSC Câmpus Criciúma e próxima ao rio Linha Anta, um dos afluentes do rio Urussanga. O remanescente florestal possui cerca de 1,2 hectare, um pouco maior que um campo de futebol oficial. No local, desde 2014 existe uma trilha ecológica, com 220 metros de extensão, que recebe atividades de conscientização ambiental no âmbito do projeto de extensão "Na trilha do desenvolvimento sustentável".

O monitoramento registrou a presença de 34 espécies de aves dentro da mata, divididas em 16 famílias, de seis ordens. Outras cinco foram observadas no pátio do IFSC, próximas à mata. 

Bem-te-vi, João de Barro, Ferreirinho-relógio, Saracura-do-brejo, Tiê-preto, Sabiá-laranjeira, Aracuã-escamoso e Pichororé foram algumas das espécies mais frequentes nas observações. Além delas, observadas na mata, os alunos também registraram em outros locais do Câmpus as presenças de marreca-ananaí, maçarico-preto, pardal, pica-pau-do-campo e quero-quero.

Mata em regeneração

Alguns motivos principais levaram Jhonatan e Giovana a concluir que o fragmento florestal se encontra protegido e em estádio médio de regeneração: a ocorrência de aves da família Dendrocolaptidae, da qual fazem parte as espécies de arapaçus, e a presença de ninhos do Ferreirinho-relógio são dois destes motivos.

"Os indivíduos da família Dendrocolaptidae costumam ser encontrados em florestas mais densas, sem muitas clareiras. Quando temos um fragmento florestal em meio a um perímetro urbano, temos a presença do efeito de borda, que consiste basicamente na pressão que o ambiente externo exerce sobre fatores que regulam esse ecossistema deste fragmento florestal, e essa pressão afeta também esses indivíduos, já que acabam se perdendo ambientes adequados para a construção de ninhos, ou seja, são espécies sensíveis a alterações em seus habitats", explica Giovana. 

"O caso de nidificação do Ferreirinho-relógio mostra que os esforços realizados até hoje para a regeneração da área, levando em conta a degradação do local, estão sendo de fato efetivos, já que encontrar um ninho nos indica que a espécie é residente do fragmento florestal ao qual, até então, não se tinha registro na cidade de Criciúma", complementa.

Um terceiro fator também chama a atenção. Os estudantes compararam as espécies encontradas com um levantamento anterior realizado pelo projeto de extensão da Trilha do IFSC. Os alunos encontraram 27 novas espécies em relação às 18 que já haviam sido catalogadas. "Houve um aumento significativo de novas espécies, o que nos mostra um aumento na biodiversidade da comunidade de avifauna do IFSC. Isso é muito importante, já que as aves são ótimas indicadoras ambientais e desempenham papéis fundamentais, como exemplo, a dispersão de sementes, o que ajuda na regeneração de fragmentos florestais", afirma Giovana.

Fauna silvestre

Além das aves, os alunos também avistaram um lagarto teiú e um gambá de orelha branca nas observações e nas armadilhas de fotografia automática. A presença destes animais, afirmam os estudantes, é mais uma prova de que o espaço vem se regenerando e servindo de abrigo à vida silvestre, reforçando a importância que os fragmentos florestais urbanos exercem para a manutenção das espécies nativas.

"Os fragmentos florestais urbanos são pequenos pedaços de uma área natural, no nosso caso da Trilha do IFSC, ela está inserida no bioma da Mata Atlântica. Desta maneira ela pode ser um importante refúgio e berçário para a vida silvestre local e também para os animais visitantes. Para os seres humanos é um ambiente que nos propicia vários benefícios para a saúde e bem-estar, por meio dos serviços ecossistêmicos", explica Jhonatan, destacando pontos como a conservação dos rios e a regulação da temperatura no local. 

Jhonatan atuou durante três semestres como bolsista do projeto de extensão da Trilha do IFSC. "Tempo suficiente para conhecer cada cantinho do local", ele diz. Para o agora egresso da instituição, o trabalho desenvolvido permitiu confirmar a importância da preservação em uma área que, antes do IFSC, servia para o despejo de resíduos industriais. "Antes da instalação do IFSC, o local foi uma área que sofreu com a degradação ambiental, mas atualmente vêm sendo realizados esforços para a regeneração e conservação. Ao saber disso, e com as conclusões do levantamento, nós pudemos ter uma pequena amostra do quanto o fragmento está se regenerando", afirma Jhonatan.

Desdobramentos

Como desdobramento do trabalho, os alunos sugerem a elaboração de um "Guia das Aves" da trilha ecológica do IFSC e a ampliação do plantio de espécies nativas frutíferas ou com flores, já que elas têm o potencial de atrair aves frugívoras e nectarívoras.

Orientadora do trabalho e coordenadora do curso, a professora Érica Benincá acredita que novos estudos podem ser realizados. "Certamente novos estudos sobre a biodiversidade da área devem ser realizados, não só para a comunidade de aves, mas para a fauna como um todo, em diferentes estações do ano. Esses levantamentos servem para subsidiar a preservação dos poucos remanescentes florestais urbanos existentes e, quem sabe, estimular a criação de outros", afirma a professora.

"Esse estudo trouxe resultados muito interessantes, conquistados pelo empenho e comprometimento dos pesquisadores. Foram muitas horas de esforço amostral, tanto com armadilhas fotográficas quanto com observações diretas. A diversidade de avifauna registrada, muito maior que a documentada anteriormente, indica a importância desse estudo, pois demonstra a relevância de áreas verdes em ambientes urbanos, que podem ser consideradas verdadeiros oásis para a biodiversidade. Sempre é recomendado o plantio de árvores nativas, que já é feito na área e deve ser intensificado, uma vez que essas espécies atraem a fauna e promovem o equilíbrio ecológico", conclui a professora.

Colaboração: Daniel Cassol

Copyright © 2022.
Todos os direitos reservados ao Portal 4oito