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Pescadores do Rincão querem reduzir dependência de atravessadores após safra de 150 toneladas

Unidade de R$ 490 mil permitirá armazenar pescado e negociar a venda em melhores condições

Por Maryele Cardoso Criciúma, SC, 19/08/2026 - 07:05 Atualizado há meio minuto

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Cerca de 150 toneladas de tainhas, anchovas e corvinas foram pescadas no Balneário Rincão este ano. Desse volume, aproximadamente 93% foram comercializados por meio de atravessadores, cenário que a Colônia de Pescadores Z-33 pretende mudar com a implantação da Unidade de Beneficiamento do Pescador Boa Maré.

Atualmente, os pescadores enfrentam a necessidade de vender rapidamente o pescado por não terem um espaço adequado para armazenamento. Com a nova estrutura, a expectativa é permitir que os profissionais guardem os peixes e escolham o melhor momento para a comercialização.

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Cerca de 150 toneladas de tainhas, anchovas e corvinas foram pescadas no Balneário Rincão neste ano I Foto: Arquivo/4oito
 

Mais autonomia para os pescadores

Segundo a presidente da Colônia de Pescadores Z-33, Maria Aparecida da Silva, a unidade representa uma alternativa para aumentar a autonomia dos pescadores. A estrutura chamada de Boa Maré permitirá que o pescado seja armazenado e beneficiado antes da comercialização. Dessa forma, o pescador poderá evitar a venda imediata aos atravessadores e negociar o produto em outros períodos.

“Hoje, muitas vezes o pescador precisa vender rápido porque não tem onde guardar o peixe e com a unidade de beneficiamento, ele vai poder armazenar, esperar o melhor momento e vender com mais tranquilidade. O peixe pescado no inverno poderá ser comercializado também no verão”, explica Maria Aparecida.

A presidente também destaca que a mudança pode gerar impacto na arrecadação municipal. Atualmente, o pescador paga cerca de 2% de imposto sobre a comercialização. Quando a venda é feita por meio de atravessadores, esse valor é recolhido por eles.

“Se o pescador tiver um lugar para armazenar o pescado e puder comercializar diretamente, esse imposto fica no município. É um recurso que retorna para o Balneário Rincão e, consequentemente, pode voltar para o próprio pescador por meio dos serviços e benefícios oferecidos pela cidade”, afirma.

Recursos podem retornar para a comunidade

Maria Aparecida cita como exemplo a utilização dos serviços públicos pelos próprios pescadores. Segundo ela, a atividade pesqueira envolve exposição ao frio e às condições do mar, o que pode trazer consequências à saúde.

“O pescador vai para o mar, enfrenta frio, chuva e sol e pode acabar ficando doente e quando ele precisa de atendimento, vai utilizar o posto de saúde do município. Então, quando o recurso permanece aqui, ele também ajuda a manter os serviços que atendem a população”, exemplifica.

A Unidade de Beneficiamento do Pescador Boa Maré será instalada na área industrial da Lagoa do Freitas, com investimento de aproximadamente R$ 490 mil. Além do armazenamento, o espaço será preparado para beneficiar o pescado e possibilitar a comercialização para programas de alimentação, incluindo o fornecimento para escolas.

Estrutura para preservar e comercializar o pescado

A unidade é vista pela Colônia como uma forma de ampliar as possibilidades de comercialização ao longo do ano. Com um local adequado para conservação, o pescador não ficará limitado ao período imediatamente posterior à pesca para vender o produto. Atualmente, cerca de 600 pescadores estão cadastrados na atividade no município.

“A gente quer que o pescador tenha condições de guardar o peixe e não seja obrigado a vender de qualquer maneira e na hora que precisa. Isso dá mais segurança e pode melhorar a renda de quem vive da pesca”, destaca Cida.

Colônia de Pescadores Z-33 aposta na Unidade de Beneficiamento Boa Maré para permitir o armazenamento do pescado e dar mais autonomia aos pescadores I Foto: Secom/4oito

Novo rancho para os pescadores

Além da unidade de beneficiamento, a Colônia de Pescadores Z-33 também recebeu autorização do Ministério da Pesca e Aquicultura para a construção de galpões destinados ao abrigamento de barcos e materiais utilizados na atividade pesqueira.

A estrutura está prevista para uma área de preservação que se estende do norte do município até a plataforma, incluindo trechos vinculados à Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

Apesar da autorização, o avanço das obras depende do encerramento do período eleitoral. A área destinada à construção dos galpões já foi demarcada, mas a execução do projeto ainda precisa seguir os procedimentos necessários para a liberação. 

O espaço terá aproximadamente 100 metros por 100 metros e será construído próximo à Barra do Torneiro. O investimento estimado é de R$ 200 mil. A estrutura deverá servir para guardar equipamentos e materiais utilizados na pesca, além de oferecer um espaço de convivência e reunião para a categoria.

“A ideia é também resgatar um pouco da história dos pescadores e criar um lugar onde eles possam guardar suas coisas, se reunir e fortalecer a comunidade. É uma estrutura pensada para atender uma necessidade antiga da categoria”, ressalta Maria Aparecida.

Com os dois projetos, a expectativa da Colônia de Pescadores Z-33 é ampliar a estrutura disponível para a categoria, fortalecer a comercialização do pescado e criar melhores condições para que os pescadores tenham mais controle sobre a produção e a renda gerada pela atividade.

Questões ambientais ainda precisam ser resolvidas

A implantação da estrutura também envolve desafios ambientais, pois o Balneário Rincão não possui rede de esgotamento sanitário e apresenta o lençol freático em uma profundidade inferior a meio metro em algumas áreas, o que exige uma solução específica para o tratamento e a destinação dos efluentes líquidos gerados durante o processamento.

Os resíduos sólidos do pescado já possuem uma destinação prevista para a produção de ração animal. O principal desafio, neste momento, está relacionado às sobras líquidas, que precisam de uma solução técnica adequada antes do funcionamento da estrutura.

A expectativa é que, com a resolução das questões ambientais e a implantação dos projetos de infraestrutura, os pescadores do município tenham melhores condições para armazenar, beneficiar e comercializar a produção, fortalecendo a atividade pesqueira local.

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