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A Colina Melancólica

Por Benito Gorini 25/09/2026 - 13:45 Atualizado há 1 hora

O Esporte Clube Cruzeiro, tradicional  agremiação esportiva de Porto Alegre , sediava seus jogos no Estádio da Montanha. A região era conhecida como Colina Melancólica,  pela grande concentração de cemitérios, entre eles o da Santa Casa de Misericórdia e o São Miguel e Almas. Inaugurado em 7 de março de 1941,  era o maior e mais moderno estádio de Porto Alegre,  o primeiro a contar com vestiários subterrâneos e túnel de acesso ao campo. O Cruzeiro foi o primeiro clube gaúcho a excursionar pela Europa, conquistando  um honroso empate com o  Real Madrid de Di Stefano.  O amigo João Pedro Hermann, comentarista da Som Maior e grande artilheiro com passagem pelo Grêmio  e Metropol, jogou no Cruzeiro. João Pedro bebeu a água  do carvão, apaixonou-se por Zuleide Colle e nunca mais deixou a nossa terra, a exemplo de muitos gaúchos. 

A especulação imobiliária, dificuldades financeiras  e um certo constrangimento em jogos realizados ao lado de cerimônias fúnebres,  levaram o Cruzeiro a vender o local em 1972, destinado à construção do Cemitério Ecumênico  João  XXIII.  A moderna e bela edificação vertical  preservou uma pequena parte da arquibancada e o túnel de acesso, utilizado como corredor de passagem.

A Colina Melancólica | YouTube/Cartoloucos

Duas curiosidades relacionadas ao cemitério. João Nassif, em seu livro “No Fio do Bigode” relata que recém chegado a Porto Alegre, contratado em 1978 pela Rádio Gaúcha, iria comentar o seu primeiro jogo no Olímpico. Ficou impressionado pela beleza de um edifício bem em frente às sociais do Grêmio. Relato do Nassif: “Cheguei ao estádio quando o sol já tinha ido embora e fui para a cabine , junto com o narrador, o técnico de som e o motorista , que ajudava a carregar o equipamento “. E continua: “A minha frente, por cima das arquibancadas percebi que havia um grande prédio, iluminado, mas não percebia nenhum movimento. Perguntei que edifício era aquele e o motorista prontamente me explicou que eram apartamentos e que seus avós moravam por lá. O operador técnico também me informou que tinha parentes morando por lá”. O edifício era o Cemitério João XXIII e os colegas da rádio “tiraram um sarro” com um paulista que não conhecia a cidade, oferecendo um apartamento no prédio.

Paulo Sant'Ana, polêmico, irreverente e fanático torcedor do Grêmio, escreveu em sua coluna na Zero Hora que desejava ser sepultado em um jazigo do cemitério, de frente para o estádio Olímpico, de glórias mil. E o desejo se cumpriu. Sant’Ana descansa em um andar superior, com vista privilegiada do Olímpico Monumental.

Jazigo de Pinheiro Machado, no Cemitério da Santa Casa, o mais antigo do Rio Grande do Sul e um museu a céu aberto. O cemitério fica bem próximo ao Joao XXIII Foto: Arquivo pessoal

LEIA MAIS

  • No Fio do Bigode, livro de João Nassif Filho

  • A Vibrante Porto Alegre, no blog Benito Gorini do portal 4oito

  • Os bondes de Porto Alegre, no blog Benito Gorini, com referência ao Estádio Olímpico

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