O Esporte Clube Cruzeiro, tradicional agremiação esportiva de Porto Alegre , sediava seus jogos no Estádio da Montanha. A região era conhecida como Colina Melancólica, pela grande concentração de cemitérios, entre eles o da Santa Casa de Misericórdia e o São Miguel e Almas. Inaugurado em 7 de março de 1941, era o maior e mais moderno estádio de Porto Alegre, o primeiro a contar com vestiários subterrâneos e túnel de acesso ao campo. O Cruzeiro foi o primeiro clube gaúcho a excursionar pela Europa, conquistando um honroso empate com o Real Madrid de Di Stefano. O amigo João Pedro Hermann, comentarista da Som Maior e grande artilheiro com passagem pelo Grêmio e Metropol, jogou no Cruzeiro. João Pedro bebeu a água do carvão, apaixonou-se por Zuleide Colle e nunca mais deixou a nossa terra, a exemplo de muitos gaúchos.
A especulação imobiliária, dificuldades financeiras e um certo constrangimento em jogos realizados ao lado de cerimônias fúnebres, levaram o Cruzeiro a vender o local em 1972, destinado à construção do Cemitério Ecumênico João XXIII. A moderna e bela edificação vertical preservou uma pequena parte da arquibancada e o túnel de acesso, utilizado como corredor de passagem.
A Colina Melancólica | YouTube/Cartoloucos
Duas curiosidades relacionadas ao cemitério. João Nassif, em seu livro “No Fio do Bigode” relata que recém chegado a Porto Alegre, contratado em 1978 pela Rádio Gaúcha, iria comentar o seu primeiro jogo no Olímpico. Ficou impressionado pela beleza de um edifício bem em frente às sociais do Grêmio. Relato do Nassif: “Cheguei ao estádio quando o sol já tinha ido embora e fui para a cabine , junto com o narrador, o técnico de som e o motorista , que ajudava a carregar o equipamento “. E continua: “A minha frente, por cima das arquibancadas percebi que havia um grande prédio, iluminado, mas não percebia nenhum movimento. Perguntei que edifício era aquele e o motorista prontamente me explicou que eram apartamentos e que seus avós moravam por lá. O operador técnico também me informou que tinha parentes morando por lá”. O edifício era o Cemitério João XXIII e os colegas da rádio “tiraram um sarro” com um paulista que não conhecia a cidade, oferecendo um apartamento no prédio.
Paulo Sant'Ana, polêmico, irreverente e fanático torcedor do Grêmio, escreveu em sua coluna na Zero Hora que desejava ser sepultado em um jazigo do cemitério, de frente para o estádio Olímpico, de glórias mil. E o desejo se cumpriu. Sant’Ana descansa em um andar superior, com vista privilegiada do Olímpico Monumental.
LEIA MAIS
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No Fio do Bigode, livro de João Nassif Filho
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A Vibrante Porto Alegre, no blog Benito Gorini do portal 4oito
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Os bondes de Porto Alegre, no blog Benito Gorini, com referência ao Estádio Olímpico
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