As chuvas intensas registradas nos dias 21 e 22 de setembro já causaram um prejuízo estimado em mais de R$ 60 milhões ao agronegócio da região de Criciúma e Araranguá, segundo levantamento da Epagri. A informação foi dada pelo engenheiro agrônomo Edson Borba, gerente regional da Epagri em Criciúma, em entrevista ao programa 60 Minutos com Arthur Lessa.
Segundo Borba, cerca de R$ 12 milhões do prejuízo estão relacionados à recuperação de aproximadamente mil hectares de lavouras de arroz, que precisam de intervenção com máquinas para retirada de pedras, recarregamento de terra e reconstrução de taipas e canais de irrigação. O restante do valor está associado à redução esperada na produtividade dessas áreas. "Em termos de impactar a oferta de produção, mexer em preço, ainda não estamos numa situação dessas. Mas, em termos de impacto no evento pontual, é algo bastante impactante", afirmou.
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Arroz é a cultura mais vulnerável ao excesso de chuva na região
Borba explicou que o arroz é a principal cultura do Sul de Santa Catarina em volume de produção, concentrada majoritariamente no litoral, entre os municípios de Paulo Lopes e Praia Grande, incluindo Passo de Torres. Por ser cultivado em várzeas, terrenos mais baixos, o arroz é especialmente sensível ao excesso de água provocado pelo El Niño.
Segundo o engenheiro, o problema não está apenas no volume de chuva, mas também na concentração das precipitações em curtos períodos e na baixa luminosidade causada pelos dias nublados. "A planta precisa de sol para crescer, precisa de luminosidade. Então você tem esse distúrbio fisiológico, e há uma propensão maior, se o produtor errar na mão e fizer uma adubação maior do que o necessário, a ter acamamento de plantas, dificuldade na germinação e doenças", explicou.
Frio atual preocupa mais do que o volume de chuva, afirma engenheiro
De acordo com Borba, no momento atual, o principal fator de atenção para a lavoura de arroz não é exatamente o volume de água, mas o frio persistente registrado na região. "O terreno precisa estar quente, ter o volume adequado de água, mas também temperatura e luminosidade. A planta acaba atrasando o seu desenvolvimento", afirmou.
O engenheiro ponderou, porém, que a safra anterior também começou com previsão pessimista e terminou em recorde de produção, graças a um verão favorável entre dezembro e fevereiro. Segundo ele, cenários semelhantes podem se repetir, mas as previsões indicam atenção redobrada para os próximos meses, especialmente outubro, novembro e dezembro.
Epagri recomenda diversificação de cultivares para reduzir riscos
Entre as orientações passadas aos produtores, Borba destacou a diversificação de variedades genéticas de arroz e o escalonamento do plantio ao longo do tempo, estratégia que, segundo ele, funciona de forma semelhante à diversificação de investimentos financeiros.
"A gente tem essa situação também na agricultura. O arroz é uma renda fixa: eu não consigo mudar de uma cultura para outra numa mesma área, porque o solo foi preparado especificamente para isso. O que eu consigo fazer é mexer na época de semeadura e nos materiais genéticos que eu vou usar", exemplificou.
O engenheiro também recomendou ajustes na adubação, reduzindo a aplicação de nitrogênio e aumentando a de potássio em cenários de baixa radiação solar, já que o excesso de nitrogênio tende a deixar as plantas mais suscetíveis a pragas e ao acamamento. Segundo Borba, a Epagri já vem orientando os produtores desde maio e junho sobre a necessidade de antecipar práticas de preparo do solo e reforçar taipas e sistemas de escoamento de água nas lavouras de arroz.
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