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Os 330 dias de Urussanga com prefeito interino

Vereador cobra decisão sobre entidade assistencial e sugere agilidade ao prefeito interino
Por Denis Luciano Urussanga, SC, 16/04/2022 - 10:05
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Há exatos 330 dias o então prefeito de Urussanga, Gustavo Cancelier (PP), era afastado do cargo por conta das investigações da Operação Benedetta, que apura irregularidades em contratações e execuções de pavimentações na cidade, financiadas com recursos federais.

O tempo passou e em pouco mais de um mês, em 20 de maio, estará completando um ano que o vice-prefeito Jair Nandi (PSD) assumiu a prefeitura interinamente. "O prefeito Jair Nandi tem se dedicado, temos observado, mas tem algumas decisões que precisam ser mais rápidas", comentou o vereador Luan Varnier (MDB), em entrevista à Rádio Som Maior nesta semana.

O parlamentar é o relator da comissão processante instalada na Câmara de Urussanga para investigar condutas do prefeito afastado. O relatório do vereador poderá indicar pela cassação do prefeito, o que será posteriormente submetido ao plenário.

Mas Varnier é cuidadoso quando questionado sobre a investigação. "A comissão está acontecendo em sigilo, mas no momento certo a sociedade vai ter acesso ao relatório, aos trabalhos que estão acontecendo. Mas eu não posso precisar nada, porque está na fase de oitivas", respondeu.

“Claro que contra fatos não existem argumentos, e a investigação vai permitir que vereadores e população saibam o que realmente aconteceu. Não falo de cores partidárias e não estou defendendo questões políticas, mas o cidadão tem o direito de saber a verdade", afirmou o vereador Elson Ramos (MDB), presidente da Câmara e, a exemplo de Luan Varnier, oposição ao prefeito afastado.

A comissão é presidida pelo vereador Braz Cizeski (PSDB) e tem o vereador Thiago Mutini (PP) como membro. “Quero que nosso papel seja feito de forma responsável, o que muitas vezes não aconteceu nessa casa, porque o ego político-partidário, o ego particular se colocou à frente das atribuições do Legislativo. Em muitas casas existem famílias precisando do mínimo, do básico, e parte desses problemas é resultado do que vem acontecendo em nossa cidade”, sublinhou Varnier.

O vereador José Carlos José, o Zé Bis (PP), da bancada de apoio ao prefeito afastado, votou contra a abertura da comissão. Ele entende que a Polícia Federal e o Ministério Público estão realizando as investigações. “A Câmara fez o seu papel, foi feita a denúncia, a polícia investigou e o relatório foi para o Ministério Público e em seguida para o juiz, e agora o prefeito Gustavo vai ter a oportunidade de fazer a sua defesa. Eu não sou investigador, não sou policial federal e não sou juiz e se concordasse poderia estar cometendo uma injustiça”, afirmou o parlamentar progressista.

Os advogados de defesa do prefeito afastado estão confiantes que na próxima terça-feira (18), em sessão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), será possível garantir a volta de Cancelier ao cargo.

Outras pautas

O vereador Luan Varnier, quando mencionou a necessidade de o prefeito interino ser mais ágil em suas decisões, referiu a situação da Associação Urussanguense de Assistência Social (Auras). Acontece que a associação é vinculada à prefeitura e, geralmente, sua presidência é exercida ou pela primeira dama, ou por indicada pelo prefeito. 

Esse vem sendo o caso. Gricelda Talamini, indicada pelo prefeito afastado Gustavo Cancelier, continua presidindo a entidade, mesmo quase um ano depois da troca do chefe do Executivo em exercício. A esposa do prefeito Jair Nandi tem acesso negado à Auras.

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"A presidente do Auras, indicada pelo prefeito afastado, não deixa a primeira-dama, que deveria ser nomeada como presidente de honra, assumir essa associação. Tem algumas coisas que o prefeito precisa definir de maneira rápida, a sociedade precisa disso. Temos ajudado, votado o que é importante para o município, mas essa efetivação depende única e exclusivamente do prefeito", afirmou Varnier.

As diárias

Outro tema que causou polêmica recente em Urussanga foi o pagamento de diárias pela Câmara. Recentemente, quatro vereadores (três do PP e um do PDT), protocolaram projeto propondo a extinção da concessão de diárias. A reclamação veio depois de uma negativa de diárias para os três vereadores progressistas cumprirem agendas em Florianópolis. Eles viajaram por conta própria.

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A discussão do tema gerou bate boca entre vereadores em plenário. "Eu penso que nós temos que nos respeitar. Aquela prática que aconteceu aqui no Legislativo envergonhou a cidade. Há muitas coisas que têm envergonhado a cidade, como o afastamento do prefeito, a Polícia Civil na casa de servidores e vereadores, essas comissões processantes e também esse escândalo que aconteceu aqui na Casa Legislativa por causa de diária. Eu trabalho com diálogo, sou um vereador que gosta de dialogar. Não precisa se atrapalhar o trabalho legislativo para reivindicar algo que é de direito do vereador. Podia ter tido mais diálogo", argumentou Varnier.

Ouça a entrevista do vereador Luan Varnier ao programa Conexão Sul, na Rádio Som Maior, no podcast:

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