Uma nova operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) na Prefeitura de Criciúma trouxe à tona suspeitas de contratos fraudulentos, uso de empresa de fachada e pagamento de propina, crimes que teriam sido praticados por um agente comissionado e diretores de uma instituição de ensino da região entre 2021 e 2024.
A Operação Ubiquidade foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (5), com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em Criciúma e Balneário Rincão. Na Capital do Carvão, agentes do Gaeco apreenderam documentos na Coordenadoria dos Conselhos Municipais, localizada no Paço Municipal Marcos Rovaris.
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Empresa de fachada está no centro da operação do Gaeco na Prefeitura de Criciúma
De acordo com o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), o esquema envolveria um ex-ocupante de cargo na Prefeitura Municipal, que teria utilizado sua influência na gestão de fundos municipais e na articulação da implantação de um novo centro de serviços em Criciúma para favorecer determinada instituição de ensino, que tinha interesse em assumir o comando do serviço.
Em contrapartida, a entidade de ensino teria contratado a empresa de fachada pertencente à esposa do agente público. A investigação busca esclarecer o pagamento de vantagens indevidas, justificadas por contratos de prestação de serviços que, segundo os indícios, não teriam sido executados. O contrato seria um instrumento fraudulento para o pagamento de propina, resultando no favorecimento do agente comissionado.
Por que a empresa levantou suspeitas?
A Operação Ubiquidade foi deflagrada pelo Gaeco em apoio à 11ª Promotoria de Justiça de Criciúma. As evidências apontam que a empresa contratada teria recebido valores parcelados por supostos “serviços de apoio administrativo”.
No entanto, a investigação indica que a empresa não possuía funcionários registrados e que a proprietária, esposa do investigado, ocupava simultaneamente outro cargo, com carga horária de 200 horas mensais, o que tornaria inviável a execução do contrato de consultoria.
Documentos recolhidos podem confirmar crimes
As buscas deflagradas em Criciúma e Balneário Rincão tiveram como objetivo o recolhimento de documentos e outros elementos que possam confirmar as supostas irregularidades já apontadas pela investigação.
O MPSC também busca identificar todos os envolvidos no esquema, incluindo a empresa supostamente responsável pelos serviços. As investigações tramitam sob sigilo.
A Prefeitura de Criciúma se manifestou por meio de nota, mas limitou-se a dizer que “permanece à disposição para contribuir com as investigações”.
Segunda operação na Prefeitura de Criciúma em menos de uma semana
Esta é a segunda operação do Gaeco na Prefeitura de Criciúma em menos de uma semana. No dia 30 de janeiro, a Operação Aurantium foi deflagrada para apurar supostas irregularidades em uma licitação realizada pelo município em 2023. O processo tratava da concessão para uso comercial de um espaço público em uma praça municipal.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão. Em nota, a Prefeitura de Criciúma informou que forneceu toda a documentação solicitada pelo Gaeco e está à disposição para contribuir com as investigações.
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