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O que é a KPC, superbactéria resistente que levou hospital de SC a restringir UTI Neonatal

KPC resiste a antibióticos potentes e levou o Materno-Infantil de Criciúma a reforçar protocolos

Por José Demathé 13/05/2026 - 17:58 Atualizado há meio minuto
Superbactéria KPC, que infectou UTI Neonatal do HMISC | Foto: Gutemberg Brito/IOC/Fiocruz/Divulgação/4oito
Superbactéria KPC, que infectou UTI Neonatal do HMISC | Foto: Gutemberg Brito/IOC/Fiocruz/Divulgação/4oito

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Uma superbactéria resistente a antibióticos, chamada de KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase), foi detectada no Hospital Materno-Infantil de Criciúma no dia 27 de abril. E isto provocou restrições na UTI Neonatal, desde a última sexta-feira (8), como forma de controle para evitar que novos casos surjam na instituição.

As bactérias multirresistentes, popularmente conhecidas como superbactérias, são bactérias que possuem uma alta resistência a diversas classes de antibióticos, como explica o médico infectologista e superintendente de Vigilância em Saúde do Governo do Estado de Santa Catarina, Fábio Gaudenzi.

“As superbactérias, na verdade, são bactérias que chamamos de multirresistentes, ou seja, elas são resistentes a várias classes de antibióticos ou a praticamente todos os antibióticos que a gente tem disponível para uso hospitalar”, ressalta.

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Uso excessivo de antibióticos

O surgimento das superbactérias em ambiente hospitalar se dá por conta do uso excessivo de antibióticos. A KPC é uma superbactéria hospitalar altamente resistente a antibióticos, que produz uma enzima capaz de neutralizar medicamentos potentes como carbapenêmicos. Responsável por infecções graves como pneumonia, sepse, infecção urinária, ela afeta principalmente pacientes com imunidade baixa como recém-nascidos e idosos, ou internados em UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

“Então, nós vamos gradativamente selecionando bactérias cada vez mais resistentes. Por isso que a gente sempre fala sobre a importância do uso racional desses medicamentos”, afirma Gaudenzi.

KPC surge pelo uso incorreto de antibióticos | Foto: Reprodução/EPTV/4oito

Medidas para evitar a transmissão da KPC

De acordo com o infectologista, os cuidados para evitar o surgimento de uma bactéria multirresistente são mais simples do que parece. “Começa pelo uso de medicamentos o mais racionalmente possível, utilizando sempre o antibiótico mais adequado para cada situação e para isso utilizando protocolos que são estabelecidos em parceria com a equipe de infectologistas de cada hospital, em conjunto com a equipe dos médicos da UTI”, explica. 

O especialista explica que a higiene adequada dos profissionais de saúde do hospital é fundamental para que a bactéria não seja transmitida a outros pacientes. “A bactéria sozinha, ela não voa, ela não viaja de um local para o outro, de um quarto para o outro dentro do hospital. Ela é carregada, e na maioria das vezes pelas mãos dos profissionais de saúde inadequadamente higienizadas. Então outro ponto que é a base de todo o controle de infecção das bactérias é investir em higiene adequada”, destaca.

Sem prazo para liberação da UTI Neonatal do Materno-Infantil

Após a detecção da bactéria, e as medidas de segurança serem adotadas, o Hospital Materno-Infantil monitora a presença dela nos pacientes que podem ou tiveram contato com ela, como explica o superintendente. “A gente monitora a presença da bactéria dentro desse ambiente, nas crianças que estão ali. Então deixamos um grupo que eu já foi indentificado a bactéria separado, evito ali a entrada de novos, e vamos monitorando se surgem casos novos nos que não estavam infectados”, afirma.

12 pacientes estão internados, e 8 leitos de UTI Neonatal foram bloqueados | Foto: Reprodução/HMISC/Freepik/4oito

A liberação da UTI ainda não tem prazo. “Não posso te dar um prazo preciso, mas esse monitoramento é feito diariamente para poder, a partir do momento em que a gente não tenha mais casos novos, prosseguir com essa liberação”, justifica Fábio.

Nenhum caso grave foi identificado no Hmisc

Os casos de KPC no Hospital Materno-Infantil foram apenas de colonização, ou seja, está presente no indivíduo mas não está causando qualquer tipo de doença.

“A colonização é quando a bactéria está presente naquele indivíduo, mas ele não está causando doença. Então a maioria dos casos foi de colonização. Estamos tratando de crianças recém-nascidas, então para ocorrer a passagem dessa bactéria de um quadro de colonização para uma infecção pode ser muito rápido e muito grave. Então por isso elas estão em monitoramento contínuo”, destaca Fábio Gaudenzi.

Atualmente 12 pacientes seguem internados em situação de monitoramento e 8 leitos de UTI seguem bloqueados. Nesta quarta-feira (13) serão realizados novos exames, e na quinta (14) serão discutidos detalhes sobre a situação.
 

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