A cirurgia robótica vem redefinindo os padrões dos procedimentos urológicos, principalmente no tratamento de tumores de próstata e de rim. Essa tecnologia, que se expandiu globalmente a partir dos anos 2000 e já soma milhões de cirurgias, sobretudo nos Estados Unidos, também se consolida no Brasil, impulsionada por benefícios clínicos e pela ampliação da cobertura dos planos de saúde.
Na prática, esse modelo modifica a dinâmica cirúrgica ao oferecer maior precisão nos movimentos e melhor visualização das estruturas internas. “A robótica representa um dos principais avanços na urologia, especialmente na área oncológica, porque permite atuar com mais precisão em regiões de difícil acesso”, afirma o urologista de Criciúma, Fábio Borges.
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A evolução da cirurgia aberta para a videolaparoscopia já havia reduzido progressivamente a invasividade dos procedimentos. A cirurgia robótica surge como um aprimoramento dessa trajetória, incorporando visão tridimensional e instrumentos com maior amplitude de movimento, o que aumenta a capacidade de atuação em áreas delicadas, como a pelve.
Embora os resultados oncológicos sejam semelhantes entre as técnicas, as diferenças aparecem principalmente no pós-operatório. “O grande diferencial da cirurgia robótica está na qualidade de vida depois do procedimento, com menor incidência de sequelas e recuperação mais rápida”, destaca Borges.
Precisão cirúrgica reduz sequelas e acelera recuperação
O procedimento robótico é realizado a partir de um console, onde o cirurgião controla instrumentos conectados ao paciente e acompanha a cirurgia em alta definição e em três dimensões.
Esse sistema permite perceber profundidade e identificar estruturas extremamente delicadas, como feixes nervosos, que não são facilmente visualizados em cirurgias tradicionais.
“Na robótica, é possível enxergar essas estruturas e separá-las com mais delicadeza, o que reduz danos e preserva funções importantes”, explica o especialista.
Os instrumentos reproduzem os movimentos das mãos com ampliação da rotação, alcançando ângulos que vão além das limitações humanas. Essa precisão maior diminui o trauma nos tecidos, reduz respostas inflamatórias do organismo e acelera o processo de recuperação.
Como consequência, há impacto direto em indicadores clínicos importantes. A ocorrência de incontinência urinária e disfunção erétil, complicações comuns em cirurgias de próstata, tende a ser menor. Em procedimentos abertos, essas taxas podem chegar a cerca de 20%, enquanto na robótica há uma redução significativa associada à preservação dos nervos.
Aplicações e expansão no Brasil
O uso da cirurgia robótica ainda se concentra principalmente na urologia, sobretudo em cirurgias pélvicas. Entre as mais frequentes estão a prostatectomia, indicada para câncer de próstata, e a cistectomia, usada no tratamento de tumores de bexiga.
A tecnologia também é aplicada em cirurgias renais e, em menor escala, em outras áreas, como tumores gástricos e pancreáticos. Ainda assim, seu melhor desempenho ocorre na pelve, devido à maior complexidade anatômica da região.
No Brasil, a expansão enfrenta desafios ligados ao alto custo e à distribuição dos equipamentos. Santa Catarina, porém, já apresenta avanço na adoção da tecnologia, com centros em funcionamento em Florianópolis e previsão de ampliação para outras regiões, incluindo o Sul do estado.
A tendência é de crescimento, acompanhando o aumento da oferta de plataformas, o que pode reduzir custos ao longo do tempo e consolidar a cirurgia robótica como parte do padrão assistencial.
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Acesso, cobertura e mitos sobre a tecnologia
O alto custo ainda é o principal obstáculo ao acesso, mas esse cenário começa a mudar. A inclusão da técnica no rol de procedimentos obrigatórios da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) representa um marco regulatório importante e pressiona os planos de saúde a ampliarem a cobertura.
Ao mesmo tempo, ainda existem equívocos sobre o funcionamento do método. Um dos mais comuns é a ideia de que o robô executa a cirurgia sozinho. “Isso é um mito. Todos os movimentos são controlados pelo cirurgião em tempo real”, esclarece Borges.
Por outro lado, já existem avanços que indicam novas possibilidades, como cirurgias realizadas à distância. Embora essa tecnologia já seja possível, ela depende de infraestrutura adequada de conexão e suporte. Ainda assim, a presença de uma equipe médica no local continua sendo essencial para garantir resposta imediata a qualquer intercorrência.
Colaboração: Marciano Bortolin
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