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Fim da taxa das blusinhas preocupa setor produtivo de SC

Facisc afirma que medida pode ampliar a concorrência desigual com produtos estrangeiros

Por Maryele Cardoso Criciúma, SC, 08/09/2026 - 11:20 Atualizado há 2 minutos
Facisc cobra condições mais equilibradas para os negócios brasileiros I Foto: Canva/4oito
Facisc cobra condições mais equilibradas para os negócios brasileiros I Foto: Canva/4oito

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A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) se posicionou contra o avanço da medida provisória que zerou o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 260). A chamada “taxa das blusinhas” foi aprovada na última semana pela comissão mista responsável pela sua análise no Congresso Nacional e seguiu para sanção presidencial.

Segundo a entidade, a mudança pode aumentar a diferença de competitividade entre produtos importados e empresas brasileiras.

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Entidade alerta para a desvantagem das empresas brasileiras I Foto: Canva/4oito

Entidade cobra tratamento igual para empresas brasileiras

Para a Facisc, caso o governo mantenha a isenção para compras internacionais, é necessário oferecer uma regra semelhante aos negócios nacionais.

“Não se trata de defender benefício para o produto nacional, mas de exigir igualdade de tratamento”, afirma Rita Conti, vice-presidente da entidade. Segundo ela, se compras estrangeiras de até US$ 50 forem isentas, as empresas brasileiras também deveriam ter o mesmo benefício nas vendas de até R$ 250.

A representante afirma ainda que não é justo que empresas que produzem, comercializam, empregam trabalhadores e recolhem impostos no Brasil tenham desvantagem diante de produtos vendidos por plataformas estrangeiras.

Medida reduz imposto de importação

A alteração foi estabelecida pelo Governo Federal por meio de uma medida provisória. A medida elimina a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais dentro do limite estabelecido.

Na avaliação da Facisc, a decisão pode prejudicar setores como indústria, comércio e pequenos negócios, além de afetar a arrecadação e a geração de empregos.

A entidade lembra que a taxa havia sido criada justamente para diminuir a diferença entre empresas brasileiras, que precisam cumprir obrigações tributárias, trabalhistas e regulatórias, e plataformas estrangeiras que comercializam diretamente para consumidores do país.

Federação defende regras iguais para produtos nacionais I Foto: Canva/4oito

Setor têxtil enfrenta queda na produção

A preocupação da federação ocorre em um momento de retração da indústria têxtil e de vestuário.

Dados recentes do IBGE apontam queda de 6,8% na produção têxtil e de 8,2% no setor de vestuário em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado de 2026, os recuos são de 3,9% no segmento têxtil e de 6,8% no vestuário.

Para a Facisc, os números mostram que setores que dependem de grande quantidade de mão de obra já enfrentam dificuldades para competir e podem ser ainda mais afetados pela entrada de produtos importados.

Pequenos negócios também podem ser afetados

A mudança pode atingir diretamente segmentos como roupas, calçados, produtos têxteis, confecções, acessórios, utilidades domésticas e o varejo em geral.

De acordo com a federação, micro, pequenas e médias empresas também estão entre as mais impactadas. Esses negócios têm papel importante nas economias municipais, mantendo estabelecimentos físicos, empregos formais e contribuindo com o pagamento de tributos.

Facisc pede revisão da medida

A entidade considera incoerente conceder benefícios tributários a produtos estrangeiros enquanto empresas brasileiras continuam enfrentando o chamado “custo Brasil”.

Para a federação, se o objetivo é diminuir os preços para os consumidores, a redução de custos também deveria contemplar os negócios que produzem, vendem, empregam e investem no país.

Diante disso, a Facisc mantém o posicionamento contrário ao fim da cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50. Caso a isenção seja mantida, a entidade defende que empresas brasileiras também possam vender produtos de até R$ 250 sem a mesma carga tributária.

Pedido ao Congresso Nacional

A Federação solicita que o Congresso Nacional rejeite a Medida Provisória ou faça alterações no texto para garantir condições mais equilibradas de concorrência.

A entidade afirma que a medida deve preservar a produção nacional, proteger empregos e garantir melhores condições para as empresas que movimentam a economia de Santa Catarina e do Brasil.

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