A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros exportados ao país deve atingir de forma severa pequenas e médias empresas da indústria do plástico e provocar reflexos em diversas cadeias produtivas que dependem do material.
De acordo o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul de Santa Catarina (Sinplasc), Elias Caetano, o receio do setor é de que os efeitos da medida ultrapassem as empresas que vendem produtos diretamente aos norte-americanos e atinjam toda a cadeia produtiva brasileira.
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Segundo ele, o plástico está presente em produtos que fazem parte da rotina de diversos setores da economia, como alimentos, bebidas, agronegócio, saúde, construção civil, higiene e limpeza.
"No nosso setor, os impactos vão muito além das nossas empresas, uma vez que nossos produtos, componentes e embalagens estão presentes em praticamente todas as cadeias produtivas da economia", afirma.
Plástico está presente em produtos exportados
Na prática, uma empresa pode não exportar plástico diretamente para os Estados Unidos, mas fornecer uma embalagem ou um componente plástico que será utilizado em um produto brasileiro vendido ao país. Por isso, Caetano explica que a participação da indústria plástica muitas vezes não aparece de forma clara nos números oficiais de exportação.
"Muitas vezes, a nossa contribuição não aparece de forma explícita nas estatísticas de comércio exterior, mas está presente em grande parte das exportações nacionais", destaca.
Uma outra preocupação é que uma redução nas vendas brasileiras ao mercado norte-americano possa diminuir a produção, afetar investimentos e empregos e pressionar os preços em diferentes setores.
Indústria brasileira já enfrenta custos elevados
Além do impacto da nova tarifa, o setor chama atenção para dificuldades que a indústria brasileira já enfrenta para competir com outros países. Entre elas estão os juros elevados, a carga tributária, os custos de logística e a insegurança jurídica.
Para o diretor-executivo do Sinplasc, o novo cenário aumenta a necessidade de discutir a competitividade da indústria nacional.
"Esse novo tarifaço evidencia um problema estrutural que já acompanha a indústria de plásticos: o elevado custo de produção no Brasil. Juros elevados, carga tributária, custos logísticos e insegurança jurídica compõem um cenário que reduz a capacidade de competição das empresas nacionais frente aos concorrentes globais", avalia.
Os Estados Unidos estão entre os principais mercados consumidores do mundo. Por isso, segundo Caetano, uma eventual perda de espaço nesse mercado não seria simples de compensar.
"Os Estados Unidos são um dos mercados mais relevantes do mundo, com um grande poder de consumo, estabilidade e forte demanda. A perda de competitividade nesse mercado não é trivial e nem será facilmente compensada por outros destinos de exportação", afirma.
Setor pede diálogo
Diante do cenário, a indústria defende que o Brasil busque o diálogo e a negociação para preservar as relações comerciais com os Estados Unidos.
O setor também avalia que qualquer eventual medida de reciprocidade precisa ser analisada com cuidado. Isso porque a indústria brasileira de plásticos depende de matérias-primas, insumos e equipamentos que vêm do mercado internacional, inclusive dos Estados Unidos.
"É fundamental concentrar esforços na preservação das relações comerciais. As negociações com eventuais medidas de reciprocidade devem ser analisadas sob uma perspectiva técnica, considerando seus impactos sobre as cadeias produtivas nacionais", explica o diretor.
Fortalecer a indústria brasileira
Para o Sinplasc, o momento também reforça a necessidade de reduzir a dependência externa e melhorar as condições de produção no Brasil. O setor defende investimentos na indústria petroquímica, acesso a matérias-primas com preços competitivos e modernização das fábricas.
"Precisamos garantir acesso a matérias-primas competitivas, modernizar o parque industrial e ampliar a produtividade. São medidas essenciais para assegurar a sustentabilidade da indústria de transformação no longo prazo", relata.
Na avaliação de Caetano, o setor precisa de mais previsibilidade e segurança para conseguir competir em igualdade com empresas de outros países.
"É com isonomia, preservando mercados estratégicos e fortalecendo a nossa competitividade que iremos proteger empregos, estimular investimentos e promover o desenvolvimento econômico do nosso setor e região", conclui.
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