O anúncio da União Europeia de barrar a importação de carne bovina brasileira e impor restrições a produtos como mel, peixes e tripas gerou preocupação em Santa Catarina. No entanto, para o setor agropecuário, os impactos da medida devem ser limitados já que o estado tem no mercado interno os maiores compradores da carne produzida em solo catarinense.
Segundo o engenheiro agrônomo da Epagri, Tovar Werlang, entre 30% e 40% da produção nacional de carne bovina é exportada. Já em Santa Catarina, a realidade é diferente. "O estado consome mais carne bovina do que produz, por isso os reflexos dessa decisão tendem a ser menores quando comparados a outras regiões do país", explica o especialista.
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Atividade importante para a economia estadual
A produção bovina catarinense continua sendo uma atividade importante para a economia estadual. Em 2025, os bovinos enviados para abate renderam cerca de R$ 800 milhões aos produtores rurais. Quando considerados os frigoríficos, agroindústrias, açougues e toda a cadeia de comercialização até chegar ao consumidor, a movimentação econômica ultrapassa R$ 1,35 bilhão.
Embora o bloqueio europeu tenha repercussão internacional, Werlang destaca que a produção catarinense possui características diferentes de estados com forte vocação exportadora. "Os produtores locais não vão sentir o peso dessa decisão, e nem os consumidores", conta.
A decisão da União Europeia foi justificada pela alegação de que o Brasil ainda não comprovou integralmente o cumprimento de todas as exigências sanitárias exigidas pelo bloco. O processo de exportação de carne envolve uma série de critérios rigorosos, como rastreabilidade do rebanho, certificações sanitárias, inspeção federal nos frigoríficos e controle de toda a cadeia logística.
Setor produtivo do Brasil reagiu
O setor produtivo brasileiro reagiu à decisão destacando a qualidade dos sistemas de fiscalização do país. Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o Brasil possui um dos mais robustos sistemas de inspeção agropecuária do mundo e que a carne bovina brasileira atende às exigências sanitárias de mais de 170 países.
A entidade informou ainda que trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para desenvolver protocolos que atendam às novas exigências europeias e manter o diálogo técnico com as autoridades do bloco.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também manifestou confiança na capacidade das autoridades brasileiras de comprovar a eficiência dos controles sanitários nacionais. Segundo a entidade, a decisão da União Europeia não está relacionada a problemas sanitários identificados nos produtos brasileiros, mas ao reconhecimento dos mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo país.
A União Europeia é um dos principais destinos das exportações brasileiras de proteína animal, especialmente da carne bovina, setor que poderá ser diretamente impactado pela nova restrição comercial.
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