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Manifestações neurológicas da Covid-19

Por Renato Matos 17/11/2020 - 10:02

Uma das características da infecção pelo novo coronavírus é a sua imprevisibilidade.

Inicialmente considerada uma doença tipicamente respiratória, aos poucos fomos aprendendo que as complicações não paravam por aí.

Fenômenos tromboembólicos, complicações cardiológicas e renais se tornaram evidentes.

E, intrigantemente, as manifestações neurológicas. 

Alguns estudos chegam a relatar que até um terço dos pacientes com COVID-19 apresentam complicações do sistema nervoso.

Perda de olfato (anosmia) ou de paladar (ageusia) já são reconhecidas como marca registrada da infecção. Quando associados a sintomas gripais, praticamente selam diagnóstico de infecção pelo Coronavírus.

As complicações do sistema nervoso foram vistas tanto em pacientes que necessitaram de ventilação mecânica, como naqueles que apresentaram formas menos severas da doença. Este perfil – complicações neurológicas não relacionadas com a gravidade do quadro clínico - se repete em diversas publicações.

As manifestações neurológicas associadas a Covid-19 podem ser secundárias a baixos níveis de oxigênio, alterações da coagulação sanguínea, distúrbios renais, mas também resultantes das conhecidas reações inflamatórias e/ou imuno mediadas.

A invasão direta dos neurônios, ainda discutida, parece ser possível. Os vasos que nutrem as células neuronais possuem receptores por onde o coronavírus pode se ligar, como faz nas células do epitélio respiratório.

Finalmente, o SARS-CoV2 pode alcançar o sistema nervoso central através do nervo olfatório, que, quando comprometido, causa a conhecida perda de olfato.

Entre as complicações mais temidas estão os acidentes vasculares cerebrais (“derrames”), isquêmicos e hemorrágicos. Geralmente, ocorrem de 1 a 3 semanas após o início dos sintomas, mas podem ser a manifestação inicial da infecção.

Pacientes jovens têm apresentado eventos isquêmicos cerebrais, inclusive com a oclusão de vasos calibrosos, algo não usual fora do contexto da Covid-19.

Encefalite (inflamação do cérebro), encefalomielite (inflamação do cérebro e medula espinal) e meningite são também descritas.

Outra complicação neurológica grave é a Síndrome de Guillain-Barré, quando uma reação autoimune lesiona os nervos periféricos. Os sintomas começam nos pés e são ascendentes, podendo paralisar os músculos das pernas, do quadril e até os da respiração.

No dia a dia, vemos crises de agitação e delírios, convulsões, alterações do nível de consciência, dificuldade de concentração e perdas de memória. Nesse quesito, naqueles que já apresentavam algum grau de alteração, a piora pode ser marcada. 

Não existem tratamentos específicos.

O prognóstico a longo prazo também está para ser elucidado.

Injustamente, o papel dos neurologistas no manejo dos pacientes com Covid-19 é pouco reconhecido.

4oito

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