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A pandemia, novas drogas e reforços vacinais

Por Dr. Renato Matos 06/04/2022 - 21:10 Atualizado em 06/04/2022 - 21:12

Quando surgiram os primeiros casos de Covid-19 na China, parecia mais uma daquelas doenças raras que ficariam por lá. 

Em 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi oficialmente alertada sobre vários casos de pneumonia atípica na cidade de Wuhan. 

Um mês depois, declarou que o surto do novo coronavírus constituía uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.

Após 500 milhões de casos e mais de 6 milhões de mortes confirmadas no mundo, o que aprendemos?

As medidas de isolamento social foram fundamentais para salvar milhares de vidas, principalmente no início da pandemia.
As máscaras, quando adequadamente usadas, são extremamente eficientes.
Imunidade de rebanho não se aplica para essa doença. 

A variante Ômicron, que reinfectou boa parte dos que já haviam contraído a doença anteriormente, enterrou de vez essa teoria.
As vacinas confirmaram, na prática, a eficácia e segurança mostradas nos ensaios clínicos feitos com milhares de pessoas.
Temos, hoje, uma outra doença naqueles com esquema vacinal completo - agora sim, uma gripezinha.

Os inúteis medicamentos do kit Covid – cloroquina, ivermectina e azitromicina - definitivamente não têm nenhum lugar na condução dos casos. 
O estudo TOGETHER, publicado na edição de 30 de março passado na New England Journal of Medicine, mostrou mais uma vez a total ineficácia da Ivermectina quando utilizada nos primeiros 7 dias de sintomas.

Mas já temos medicamentos preventivos de verdade. 
Há poucos dias, a ANVISA aprovou para uso emergencial o PAXLOVID, medicamento da Pfizer que, se tomado nos primeiros 5 dias da doença, reduz a necessidade de internação em aproximadamente 90%.

Era o que precisávamos para lidar com aquelas pessoas mais vulneráveis, com potencial de evolução desfavorável.
De certa forma, como o Tamiflu na gripe, mas muito mais eficaz.

Em relação a novas mutantes do coronavírus, apesar de novas subvariantes da Ômicron, como a BA.2 e, mais recentemente, a XE (mistura de material genético da BA.1 com a BA.2), nenhuma mostrou escape vacinal significativo.

QUARTA DOSE

Apesar de incertezas quanto à necessidade de um segundo reforço vacinal na população em geral, elas já são indicadas para imunodeprimidos e pessoas acima de 80 anos.

Recentemente, o FDA passou a recomendar essa dose para indivíduos acima de 50 anos, quatro meses após seu reforço inicial.

Um artigo publicado também na New England, agora, em 05 de abril, mostrou que a quarta dose reduziu em 3,5 vezes o número de casos graves da Covid quando aplicada em indivíduos acima de 60 anos em Israel.

A Organização Mundial da Saúde mantém o objetivo de vacinar pelo menos 70% da população mundial até meados de 2022, mas também admitiu que ajustes à meta de 70% estão sendo considerados – talvez sejam necessários mais vacinados para que seja reduzido de forma significativa o aparecimento de novas variantes de preocupação.

No entanto, de acordo com Our World In Data, apenas 14,7% das pessoas em países de baixa renda receberam pelo menos uma dose de vacina contra a SARS-CoV-2. 

Essas desigualdades podem trazer ainda alguns capítulos para essa história.

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