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Reações alérgicas às vacinas contra a Covid-19

Por Renato Matos 05/01/2021 - 06:47Atualizado em 05/01/2021 - 06:48

As esperadas vacinas contra o coronavírus já estão disponíveis em muitos países e logo – esperamos – estarão à nossa disposição.
Deixando de lado as bobagens ditas por alguns desinformados – ou mal intencionados – o que realmente preocupa a comunidade médica são as reações alérgicas.
Quando graves, essas raras manifestações são chamadas de anafiláticas. Podem causar lesões pruriginosas de pele, edema (inchaço) de pálpebras e lábios, falta de ar, chiado no peito, sensação de garganta fechando, hipotensão e alterações cardíacas. 

Não é um evento relacionado apenas às vacinas. 
Entre as causas mais comuns de reações anafiláticas estão os antibióticos (em especial a penicilina e seus derivados) e contrastes utilizados em radiologia. 
Nesse contexto, em média, 1 ocorrência é relatada a cada 5000 exposições. 

As vacinas tradicionais, que inativam ou atenuam os vírus, costumam provocar reações anafiláticas numa incidência de 1 por milhão. 
Ainda não sabemos se a vacina Coronavac, manufaturada dessa maneira, terá comportamento semelhante.

Segundo artigo publicado esta semana no New England Journal of Medicine, até o momento, as reações anafiláticas às vacinas mRNA da Pfizer são de 1 caso por 100.000 aplicações.

Nessa nova tecnologia, um mensageiro (RNA) criado por bioengenharia é “embalado” para chegar intacto ao local de produção de proteínas nas células (fora do núcleo, não interferindo no código genético, o DNA). 
Faz parte dessa embalagem uma substância chamada polietilenoglicol (PEG), usada também em laxantes, gel de ultrassom, lubrificantes e na indústria de cosméticos.
O PEG parece ser o principal agente provocador da anafilaxia, não o agente imunizante em si.

As vacinas que usam um adenovírus como vetor, como a da Astra Zeneca/Oxford, que será fabricada em parceria com a Fiocruz, também utilizam uma substância com estrutura similar ao PEG. Porém, como ainda não está sendo usada em larga escala, não se sabe qual a incidência de anafilaxia.

Assim, pessoas com história de alergia ao PEG não devem utilizar os imunizantes que o contenham em sua composição.

Estas vacinas também estão contraindicadas naqueles que apresentam reação ao polisorbato, utilizado na indústria alimentícia e de cosméticos

Até novas orientações, estas novas vacinas devem ser evitadas em todos aqueles que já tiveram alguma reação alérgica grave – como à penicilina ou ao contraste iodado, outros medicamentos ou até a alguns alimentos. 

Todos os locais de vacinação devem dispor de Adrenalina - a droga de escolha para tratamento das reações anafiláticas – assim como pessoas treinadas para seu pronto reconhecimento.

 Já foram imunizadas 13 milhões de pessoas, com raríssimos casos – reversíveis – de anafilaxia.
Por outro lado, estão morrendo diariamente em consequência da Covid-19 em torno de 10.000 pessoas.

Na dúvida, converse com seu médico.
Não havendo contraindicação, vacine-se. 
É a única esperança de termos nossa vida normal de volta.

4oito

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