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Katalin Karikó e as vacinas “experimentais”

Por Dr. Renato Matos 19/01/2022 - 08:42 Atualizado em 19/01/2022 - 08:44

Frente à imensa eficiência e segurança das vacinas contra a Covid-19, na falta de melhores argumentos, uma das alegações repetidas pelos desinformados (às vezes, mal-intencionados) antivacinas é que estamos usando imunizantes “experimentais”.

Um pouquinho de história.

Katalin Karikó, búlgara, doutora pela Universidade de Szeged, uma das tradicionais daquele país, emigrou para os Estados Unidos em 1985 para um pós-doutorado na Universidade da Pensilvânia.
Seu objeto de pesquisa era o RNA mensageiro (mRNA), já conhecido há algumas décadas.

Na época, todas as atenções na área estavam focadas no Projeto Genoma Humano - empreendimento multinacional que buscava decifrar o “livro da vida” - iniciado em 1990 e completado em 2003.

O RNA, sigla para ácido ribonucleico, era considerado secundário – uma molécula que “apenas” copia as informações do DNA no núcleo e transmite esses dados para outras estruturas produzirem proteínas.

Persistente, acreditando no potencial terapêutico de suas pesquisas, Karikó começou, no início da década de 90, a aplicar em animais sequências de RNA mensageiro através de injeções intramusculares.

O objetivo era que essas moléculas, uma vez dentro das células, começassem a produzir proteínas conforme a “receita” preparada pela pesquisadora.

Mas falhava repetidamente: as moléculas de mRNA sintetizadas pela cientista eram reconhecidas como estranhas pelo sistema imunológico e rapidamente eliminadas.

Em 2004, com mudanças na formulação do mRNA, os resultados começaram a aparecer. 

Vislumbrando seu potencial, a Universidade da Pensilvânia logo patenteou os achados de Karikó.

Em 2010, um grupo de arrojados cientistas, saídos das melhores universidades norte americanas, comprou esses direitos e fundou a ModeRNA – acrômio para Modifiyng RNA - pioneira nas vacinas mRNA, que mudaram a história da nossa pandemia.

Em 2013, Katalin Karikó começou a trabalhar na empresa BioNTech, onde atualmente é vice-presidente.

A BioNTech é a parceira da Pfizer na produção das também vencedoras vacinas contra o SARS-CoV-2, que usam a mesma plataforma mRNA.

Katalin Karikó é uma das fortes candidatas a prêmio Nobel de química deste ano.

O que a pandemia fez foi liberar os bilhões de dólares necessários para que a vacina saísse do laboratório.

Depois de 30 anos de incontáveis experimentações.
 

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