Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...
CORONAVÍRUS - Saiba mais aqui
* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito

Fórmula 1, testes Covid e sua empresa. Ou sua família

Por Renato Matos 08/07/2020 - 12:00Atualizado em 08/07/2020 - 12:08

No último domingo voltamos a assistir corridas de fórmula 1. Apesar da falta do Galvão Bueno – alguns devem ter gostado - passou uma impressão de que estamos voltando ao “normal”. Para que esta corrida acontecesse foram tomadas medidas rigorosas de segurança. Às já conhecidas – afastamento físico, higienização frequente das mãos e uso de máscaras – foram acrescentados testes frequentes. Todos os envolvidos foram testados antes de saírem de seus países, ao chegarem ao paddock e depois a cada 5 dias. 

Este protocolo é um pouco menos exigente do que o anunciado por Ross Brawn, o engenheiro e atual diretor-esportivo da Fórmula 1, que em maio revelou a intenção da categoria providenciar testes a cada dois dias. Nesta primeira etapa foram feitos cerca de 4 mil testes, ao custo de pouco mais de 200.000 euros. Nenhum positivo, informaram.

Mas que testes?

Existem basicamente duas categorias de testes para detecção do coronavírus. O teste molecular, que detecta a presença do vírus – o PCR - e os testes sorológicos, que detectam a presença de anticorpos. Esses são proteínas produzidas por determinadas células de defesa do nosso sistema imunológico para frear a multiplicação do vírus.

O teste do PCR, aquele do “cotonete” pode ser feito a partir do primeiro dia dos sintomas, idealmente a partir do terceiro dia – e permanece positivo por aproximadamente 10 dias. Mesmo pessoas assintomáticas, estando infectadas, podem ter o teste positivo.

Já os testes sorológicos, conhecidos por testes rápidos, por dependerem da resposta imunológica, só positivam vários dias depois. O laboratório Fleury, um dos mais respeitados do país, em seu site, recomenda que o teste seja feito pelo menos 10 dias após o início dos sintomas. Idealmente 14 dias.

Resumindo, o teste molecular, o PCR, é para firmar o diagnóstico, aquele que permite que medidas médicas e de isolamento possam ser tomadas em tempo. Este é nosso o padrão ouro. Já os testes sorológicos, segundo a própria ANVISA, podem auxiliar no mapeamento da população que já foi infectada, mas NÃO têm função de diagnóstico. Seu papel seria avaliar a prevalência da doença na comunidade, auxiliando os gestores a se posicionarem corretamente.

Sempre considerar que todos os testes, moleculares e sorológicos, apresentam um número considerável de falsos negativos e falsos positivos. Aí um bom médico, juntado as informações clínicas, contexto epidemiológico e outros exames, pode ajudar. Ir no laboratório por sua conta, fazer o exame sorológico e tentar interpretar sozinho o seu resultado, pode levar a medidas desastrosas. Para você, seus familiares ou funcionários da sua empresa. 

E, como vimos nos jornais, a imagem dos pilotos de F1 fazendo cara feia enquanto o cotonete era introduzido em suas narinas, não deixa dúvidas - estão utilizando o teste correto, o PCR. 

E por que aqui não fazer logo o teste de PCR em todos os suspeitos?

Enquanto os testes sorológicos são realizados em equipamentos mais simples, que quase todos os laboratórios possuem, o PCR exige máquinas e reagentes mais sofisticados. Em centros maiores são liberados em aproximadamente 24 horas e tem aproximadamente o mesmo custo dos exames sorológicos.

Aqui no estado, com exceção de alguns poucos laboratórios, os exames a nível privado são encaminhados para laboratórios de referência – e aí o resultado demora dias para ser liberado, não permitindo que medidas rápidas sejam adotadas. Ou para o LACEN, laboratório que dá suporte a rede pública. Problema: os testes são coletados apenas naqueles casos mais graves ou já internados. No site do governo do estado, ao lado dos 393 óbitos, verificamos que existiam 4.804 exames aguardando liberação.

Então, como proteger seus funcionários e sua família? 

No atual contexto, na presença de sintomas gripais, febre, cefaleia, perda de olfato ou paladar, considere o caso como positivo para Covid – e tome as medidas adequadas de isolamento.

Nota do editor:

 

O médico Renato Matos, uma das referências da pneumologia em Criciúma e região, vem colaborando com a Rádio Som Maior e o 4oito com extrema frequência desde o início da pandemia de Covid-19, com diversos esclarecimentos ao nosso público ouvinte e leitor. O convidamos para reforçar essa oferta de conteúdo com os textos, em forma de artigo, que passamos a publicar nesse espaço. Boas vindas ao dr. Renato Matos!

4oito

Deixe seu comentário