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Capitólio à brasileira: grupo fascista invade os Três Poderes

Atos terroristas destruíram patrimônio dos brasileiros e mostraram as caras do golpismo
Por Maga Stopassoli 09/01/2023 - 11:41 Atualizado em 09/01/2023 - 14:51

Um capitólio à brasileira. Assim pode ser resumida a última tentativa golpista que o Brasil presenciou, estarrecido, neste domingo (8). E, antes de me ater aos fatos propriamente ditos, vamos pontuar duas coisas aqui:

1ª - o grupo radical que invadiu Brasília ontem, não representa a maioria dos bolsonaristas;

2ª – a narrativa de que a depredação foi promovida por infiltrados pode convencer a quem apoia atos golpistas. Aqui, não.

O Brasil assistiu ao que deve ter sido a última tentativa golpista de mudar o resultado da eleição. Uma horda de apoiadores de Jair Bolsonaro, invadiu os prédios dos Três Poderes em Brasília e destruiu tudo que viu pela frente. Numa rápida análise de semiótica, é fácil concluir que o ódio que moveu aquelas pessoas não queria destruir móveis e outros objetos que pertencem ao povo brasileiro. Queriam deixar marcado na história do país, o ódio pela democracia. Composto por adultos com comportamentos que denotam emoções cristalizadas, quebraram cadeiras e vidraças, arrancaram portas, destruíram obras de arte de valor imensurável. Deixaram excrementos por onde passaram, como forma de demonstrar suas emoções mais primitivas.

Adultos com emoções cristalizadas correm o risco de passar a vida toda, sem conseguir se desprender emocionalmente de algum fato ou de alguma fase de sua vida. Ficam presos no tempo. Até hoje não encontraram uma razão para viver, uma causa pela qual lutar, um inimigo para enfrentar. Por isso, têm dificuldades em compreender e respeitar a democracia. A cristalização desses comportamentos se evidencia na postura dos radicais de Brasília que negam a responsabilidade na autoria da destruição que provocaram. Antes, negavam que queriam um golpe de estado. Agora, negam a materialidade dos fatos. Perderam datas importantes com a família, aficionados por defender o Brasil do comunismo, esse fantasma imaginário que assombra e tenta justificar atos terroristas como os de ontem.

O furto simbólico de um exemplar da Constituição de 1988 deixa claro o que pretendiam: queriam roubar a nossa Constituição, no mais amplo sentido da expressão.

Mais de seis horas após o início do vandalismo, começaram a surgir as primeiras manifestações de lideranças políticas. Dos apoiadores do ex-presidente, vinham publicações tentando desvincular sua imagem do que estava ocorrendo. Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello fez uma publicação sucinta no instagram tentando não dar ainda mais luz aos fatos, mas também sem passar a ideia de que se omitiu. Jorginho será cobrado para cumprir a determinação do ministro Alexandre de Moraes que ordena desmontar os acampamentos em frente aos quartéis, em 24h, ou seja, ainda nesta segunda-feira. Questionado se iria cumprir a decisão de Moraes, o governador respondeu via assessoria que está avaliando juridicamente a questão.

Santa Catarina é um dos estados mais bolsonaristas do país. Foi em Santa Catarina, também, que os movimentos golpistas iniciaram após o resultado da eleição, em 30 de outubro, quando a BR 101 foi fechada, em Laguna, dando início ao fechamento de diversas outras rodovias pelo Brasil. Além disso, dezenas de ônibus partiram daqui em direção à Brasília, para inflar os ataques de ontem. Esse contexto faz com que o estado esteja na mira do STF que já está trabalhando para identificar quem patrocinou esses movimentos.

Ainda na noite de domingo, a Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense), emitiu uma nota dizendo que reconhece manifestações democráticas, mas que repudia atos de violência e cobra que os envolvidos sejam responsabilizados na forma da lei.

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina também emitiu nota onde diz que não é possível tolerar atos violentos. Diz, ainda, que o Poder Legislativo Catarinense espera rigor na apuração.

O prefeito de Criciúma, cidade que estava representada nos atos de ontem, Clésio Salvaro (PSDB) foi procurado para falar sobre o assunto, mas não respondeu ao blog. (Caso responda, esse texto será atualizado).

Na esfera federal, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, foi afastado do cargo por 90 dias pelo STF, no início da madrugada deste domingo. Ele será investigado e recairá sobre ele a (i)rresponsabilidade pela fraca atuação para conter o que se viu ontem.

Sempre chamei de “manifestantes” as pessoas que estão nas ruas desde outubro e várias vezes fui “corrigida”. “Não são manifestantes, são golpistas”, me diziam. E estavam certos. São terroristas, golpistas, fascistas e inimigos da democracia e é assim serão descritos a partir de hoje quando o assunto for pedido de intervenção militar ou qualquer ato não democrático. A esses fascistas, o rigor da lei e o esquecimento de seus nomes na história.

Terrorista quebra vidraça num dos prédios dos Três Poderes em Brasília. Foto: Gabriela Biló (para a Folha).

 

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