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Odontólogos pioneiros em Criciúma mais Alexandre Herculano De Freitas

Henrique Packter
Por Henrique Packter 19/04/2021 - 09:00Atualizado em 19/04/2021 - 09:03

Nada que é humano me é indiferente (Terêncio, 190-159 a.C.)

Parafraseando o mestre,  no início havia práticos dentistas, mas poucos. No sul catarinense havia-os em Tubarão, na Laguna, Araranguá, Urussanga. Existe o registro de que  em 1929, Amadeo de Mattaeis, formado dentista italiano, de passagem por aqui, atendeu aos casos mais urgentes, permanecendo na região 30 dias.

Em 1933, Seu Leandro Martignago, 35 anos de idade, iniciava-se  no ofício de dentista, depois de ter obtido, no Departamento de Saúde  Pública de Florianópolis, licença para trabalhar como Dentista Prático  Licenciado. Seu Leandro, casado com Dona Rachele Ferraro Martignago, mas conhecida como Dona Natália, foi pai da Dirce, Henrique Dauro e Décio, e, a rigor, nosso primeiro dentista. Seu gabinete dentário funcionava a todo vapor numa pequena sala da Cooperativa  Vitória, levado depois para a sua própria residência onde atendeu até 1960.  Chegam, depois dele, Abraão Martignago (irmão do Leandro), Nilo Sbruzzi, Olivério Nuernberg (em Veneza), Alexandre Herculano de Freitas, Lírio Rosso e mais outros.

HENRIQUE DAURO MARTIGNAGO, NOSSO PRIMEIRO BUCO-MAXILO-FACIAL, FILHO DE LEANDRO E DE NATÁLIA

Nas veias de DAURO corria o sangue de incontáveis gerações peninsulares: o bisavô casara com OZELLAME, o avô com descendente dos BON -, seu pai, LEANDRO  com RACHELE (NATÁLIA) FERRARO. O avô materno, GIOVANNI FERRARO casara com POLETTO.

SÍLVIO FERRARO primo de NATÁLIA FERRARO e primeiro médico brasileiro no sul catarinense, em Criciúma, casara com uma BATISTA. NATÁLIA FERRARO MARTIGNAGO sobrinha de NINA FERRARO BAINHA mãe de TARQUÍNIO BAINHA que foi presidente do IAPETC (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas).

Houve casamentos de MARTIGNAGO com os LORENZETTI e PIUCCO.   Estão acompanhando? Há muito mais e DAURO passou a vida tropeçando em parentes, incluindo JORGE LORENZETTI, preso político em 1964, depois assador de LULA. Os casamentos dos filhos de DAURO e MÉROPE estreitam laços familiares com os CORAL de São Joaquim, os STEINER, CASTELLAR  e FARIA.

GABRIELA, filha de DAURO foi magistrada, casada com o advogado JORGE H. CORAL. O advogado PAULO, também filho de DAURO, é casado com a dermatologista BEATRIZ CASTELLAR DE FARIA, mãe de HENRIQUE. A advogada HELENA, outra filha de DAURO, casada com o advogado e empresário Eduardo Riggenbach Steiner são pais de Natália. Já pensou?

A título de ilustração, DÉCIO, irmão de Dauro casou com a filha de JÚLIO CÁPUA da Construtora CÁPUA & CÁPUA, recordista em metros quadrados construídos em Brasília.

LEANDRO, PAI DE DAURO, DOIS PIONEIROS

CARLO FELICE e ROSA BON, tiveram 16 filhos, entre eles LEANDRO, nascido em 1898 e pai de DAURO. Não é difícil imaginar a quantidade de descendentes gerados por esses dezesseis filhos. Em CRICIÚMA, EVOLUÇÃO E SUCESSO, pág. 110, DAURO, sem mencionar data, exibe foto de reunião da numerosa família MARTINGNAGO promovida pelo primo JOVINO MARTINGAGO PIUCCO, dentista prático licenciado, depois farmacêutico e proprietário de quase tudo que vale a pena em Garopaba, especialmente terras. PIUCCO faleceu recentemente vítima de assalto em sua residência em Garopaba. OSCAR DE ARAGÃO PAES, pediatra em Criciúma, terminou seus dias clinicando em Garopaba.

Em 1910, 22 anos, LEANDRO deixa a lavoura paterna, 80 hectares entre Rio Carvão e a estação ferroviária de Urussanga, para trabalhar na abertura de estradas em São Gabriel, RS.  Deixa as polentas brustoladas douradas na chapa, campos de pastagens naturais de raros pinheiros fêmeas com braçadas de pinhas em buquê e pinheiros machos erguendo os braços hieráticos como punhos fechados. Fez grande parte do trajeto (via Serra da Rocinha e Vacaria), a pé. Dois anos e está de volta para trabalhar na construção da parada Saquarema, ferrovia Curitiba-Paranaguá, maior e mais ousada obra da engenharia férrea do mundo, medindo 110 km.

Iniciada em 1880, entregue em 2.2.1885, a primeira viagem durou 9 horas. Tida como impraticável por engenheiros europeus, firmas estrangeiras recusaram-se a construir a ferrovia pelas dificuldades do trecho serrano entre Morretes e Roça Nova. Giusepe Ferrucini, primeiro construtor, de empresa inglesa, desistiu no km 45, nível do mar, cabendo ao engenheiro Teixeira Soares, 33 anos, concluir em 5 anos o projeto de André Rebouças. Nove mil homens, lavradores e imigrantes, trabalharam na obra que interligava Curitiba, Antonina, Morretes e Paranaguá, e que levou à morte cinco mil operários, principalmente por doenças típicas da floresta. Mil trabalhadores por ano, 90 por mês, quase 3 mortes por dia.

Em 131 anos de operação a ferrovia é praticamente a mesma. Desde os anos 90 funciona apenas para trens turísticos. A reivindicação de estação no km 21, em Saquarema, Paranaguá, para escoar a produção agrícola dos moradores do Bairro Rio das Pedras, data da construção da ferrovia e inaugurada em 1925. A estação de madeira, na qual LEANDRO trabalhou, saqueada em seu abandono, viu tudo ser levado, incluindo o madeiramento das paredes.

LEANDRO MARTIGNAGO, homem de poucas letras, vida difícil e laboriosa, sem acesso a ensino qualificado, tinha anseio de evoluir, aprender.

Volta de Paranaguá em 1925, sabe do Instituto Polytechnico de Blumenau onde aprende o ofício de dentista prático. Em CRICIÚMA: EVOLUÇÃO E SUCESSO, págs., 93 e 94, DAURO afirma: Não havia curso superior de Odontologia em SC.

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