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O café São Paulo - Parte 2

Henrique Packter
Por Henrique Packter 23/07/2020 - 09:37

A praça chama-se Nereu Ramos desde 1946 e foi palco de 1917 a 1931/1933 de valentes disputas futebolísticas contempladas por plácidos animais  que pastavam em seus limites. 

Chico Corbetta no Café São Paulo

No Café São Paulo, no dia mesmo de minha chegada, feriado de 6.1.1960, conheci Giacomo Puggina, Mário Balsini, Ayrton Egídio Brandão, Darci Schmitz, Jacy Fretta, todos engenheiros, todos bebericando seus cafezinhos, botando conversa fora. Eu tomava o meu café na única outra mesa ocupada naquele feriado municipal de Criciúma. Puggina veio até minha mesa e convidou-me para que sentássemos todos juntos. Desse grupo, Jacy Fretta (98 anos feitos a 3.5.2020) e eu, somos os únicos sobreviventes. Cidadão alto, magro, claro, óculos e calva pronunciada entra no café e cumprimenta a todos com genuína alegria. Sumiu quase tão rápido quanto entrara.

- É o Chico Corbetta, gerente do Banco INCO, confidenciam-me.

Chico Corbetta, gerente do Banco Inco

Francisco Corbetta, natural de Tubarão foi  gerente em Criciúma  do Banco Inco durante 28 anos (1940-1968). Membro fundador do Rotary de Criciúma, presidiu aquele clube de serviço (1962/1963). Faleceu na cidade de Florianópolis em 1987. Corbetta era pessoa educada, atenciosa. Residia em nossa cidade na rua Hercílio Luz, 80 numa casa ainda existente entre dois grandes prédios, frente à entrada do Metropolitan.  

Andando duas quadras estava na praça Nereu Ramos para o cafezinho matinal e ouvir as últimas no Café São Paulo. Dali ao banco, localizado onde está o Shopping Bortoluzzi era uma quadra e meia com rápido pit stop no Café Rio para chegar ao trabalho plenamente informado. Tratando-se de feriado municipal, Corbetta certamente apenas cumpria um ritual.

Delicadas negociações para empréstimo bancário

A certa altura da minha vida necessitei conversar com Corbetta sobre negócios. Precisava adquirir equipamento para o consultório. Comecei minha vida profissional em Criciúma (1960) utilizando caixa de prova (aquela primitiva caixa cheia de lentes colocadas numa armação para verificação do grau necessário pelo clienteØ). Fazia-se a medida do grau da lente a receitar com auxílio de espelho côncavo dotado de furo circular central, por onde o oftalmologista observava se a lente colocada na armação era a adequada. Além disso eu tinha um oftalmoscópio para exame do fundo de olho e um aparelhinho chamado Tonômetro de SchiØtz para medida da pressão ocular. Como eu também fazia ouvido, nariz e garganta tinha um material miúdo para exames dessa especialidade. Era tudo.

Tendo pago algumas mortificantes dívidas deixadas para trás em Curitiba, dos tempos de estudante, decidi procurar um banco para poder adquirir consultório mais moderno. Eu ainda o conservo, apenas para exibição. Falar verdade bancos eram instituições perfeitamente desconhecidas para mim. Arranjo feito por meu pai permitia que eu apanhasse com primo médico lá em Curitiba determinada importância mensal para minha manutenção. Estudando na Federal do Paraná e residindo primeiro numa pensão e depois numa república de estudantes, meu dinheiro era pouco, apenas o necessário.

O Banco Inco funcionava onde hoje está o Shopping Bortoluzzi numa casa térrea. O gerente sentava-se à sua mesa do lado direito de quem entrava. Atendia as pessoas atrás de um cercadinho de madeira,  uma pessoa por vez, escolhida por ele na multidão. O confessionário era público. 3.399

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