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O abominável homem das neves

Chatô encontra Vargas e Góis Monteiro
Henrique Packter
Por Henrique Packter 20/10/2020 - 11:12Atualizado em 20/10/2020 - 11:15

Em POA,  Chatô contraria Osvaldo Aranha e se alista no exercito revolucionário como soldado raso. Ganha o competente uniforme, cantil, mochila, facão, uma inútil carabina Geco fabricada na Alemanha em 1922, pistola Lugger, pente de balas para ambas as armas de fogo, botas quase parceiradas. Assina sem ler os papeis que lhe apresentam  e parte de avião para Curitiba. Antes, visita o general Cândido Rondon mantido em prisão domiciliar na capital gaúcha por recusar-se a aderir ao movimento revolucionário.

O aguaceiro continua. Percorre de taxi o trajeto Curitiba-Ponta Grossa onde se encontra com Vargas e faz a primeira entrevista concedida pelo chefe supremo da revolução, matéria publicada no Diário de Notícias de POA, órgão Associado.

Volta a Curitiba onde permanece por mais de uma semana e onde entrevista todo mundo para artigos que seriam publicados após 4 de novembro. Em Ponta Grossa, monta sua cama no vagão-dormitório do trem, ao lado da cama do general Gois Monteiro e  até 24 de outubro não sai mais de perto do chefe militar da revolução.

Enquanto isso, Washington Luís rejeita proposta de demissão trazida pelo cardeal Sebastião Leme e é deposto pelo general Augusto Tasso Fragoso que assume a chefia de governo provisório. Chatô era testemunha ocular da história, futuro slogan do Repórter Esso (1941). Às sete da manhã conversa com Vargas sobre a política externa que pretendia implantar. Ficou evidente para ele que Vargas não nutria lá muita admiração pelos yankes e chega a dizer que estranhava esta veia americanófila do jornalista. Chatô consubstancia seu pensamento em política internacional declarando:

- Sem os EUA nós não passamos de um espirro de gato.

Presidente deposto e preso esmorece o ânimo paulista e a ansiada Batalha do Itararé acaba não ocorrendo. O trem estacionado há dias em Ponta Grossa  põe-se em marcha agora repleto de notáveis. Cai a censura à imprensa  e a partir de 27 de outubro os jornais de Chateaubriand passam a publicar reportagens e artigos sobre a revolução. O RJ é invadido pacificamente por milhares de jovens soldados,lenços vermelhos no pescoço. Menos de 2 semanas após a posse de Vargas, Chatô publicava artigo acusando o governo revolucionário de Ditadura.

Naquela primeira entrevista concedida por Vargas a Chatô ele explicitava os 17 pontos de seu governo. Chato chamava o Hotel Glória de  O Covil dos Gaúchos, pois lá viviam vários deles. As relações entre Chatô e Vargas são ora cordiais, ora pouco amistosas. Com o interventor de SP, seu desafeto, entabulou polêmica repleta de escândalos, acusado que foi de receber dinheiro público para publicar notícias favoráveis ao governo. Chatô admitiu o fato aduzindo que não era o único jornalista  a fazê-lo.

No final de 1930 escreve artigo em que menciona pela primeira vez o nome oficial e registrado do poderoso grupo, os  Diários Associadosonde, onde  Chatô escrevia seus artigos, sempre a lápis.

Getúlio Dornelles Vargas

Presidiu o Brasil em dois períodos. O primeiro, de 15 anos ininterruptos,1930 a 1945.  Costuma-se dividi-lo em 3 fases: 1930 a 1934, como chefe do Governo Provisório; de 1934 a 1937 como presidente da república do Governo Constitucional, eleito pela Assembleia Nacional Constituinte de 1934; e, de 1937 a 1945, como ditador, durante o Estado Novo implantado após golpe de Estado.

No segundo período, eleito por voto direto, Getúlio governou o Brasil por 3 anos e meio: de 31.1.1951  a 24.8.1954, quando comete suicídio, no Palácio do Catete, RJ, então capital federal.. Getúlio era chamado por seus simpatizantes de pai dos pobres, devido à legislação trabalhista e políticas sociais adotadas sob seus governos. Adotou doutrina e estilo político denominados de getulismo ou varguismo. Seus seguidores, até hoje existentes, são getulistas. Era tratado pelas pessoas próximas de Doutor Getúlio, e as pessoas do povo se referiam a ele como Getúlio.

Influente até hoje sua herança política é invocada e disputada por. pelo menos, dois partidos políticos: o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Getúlio Vargas foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, em 15.9.2010. 

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