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Causos médicos

Henrique Packter
Por Henrique Packter 05/03/2020 - 18:38Atualizado em 05/03/2020 - 18:40

Cesar Sartori, descendente de uma geração de intelectuais e médicos, frequentou cursos de História da Arte, História das Religiões, História da Música, História Natural, Interpretação da História, Biologia, Zoologia, Botânica. Sua desaparecida biblioteca contaria com dez mil volumes. Homem de muitos livros, dizia de si mesmo.

Assistente de Bassini, talvez o maior cirurgião da época e criador do método clássico da cirurgia de hérnia inguinal, na última década do século 19. No começo do século trabalha com César Lombroso; passa a interessar-se por criminologia e biotipologia.

Recém-formado, foi médico de bordo por 2 anos, conhecendo o mundo. Atacado por um leão nas cercanias de Zanzibar quando atravessava o Saara. Perdeu-se no Cairo. Conhecia a Terra Santa, visitada várias vezes. Bíblia em punho, conferia a vida de Cristo in loco. Com Darwin nas mãos foi à Ilha da Páscoa, vagou pelos Andes e pelos desertos do México. Na Guatemala viu o quetzal, pássaro que se suicida em cativeiro e com mancha de sangue no peito porque protegeu o herói nacional com o próprio corpo. Viu as quedas do Niágara e do Zambeze.

Terra da Promissão, era como chamava nosso país: “Esta terra nova, cuja geografia se modifica ainda nas mudanças telúricas será o paraíso da Humanidade. O resto do mundo está velho ou conquistado. Este já é hoje melhor país para viver, onde existe o povo mais bondoso e mais inteligente. O Brasil, minha segunda Pátria, vai ser o maior País do Mundo Moderno”.

Sartori foge das perseguições políticas na Itália e aporta em Lages, via Urussanga. Rebelara-se contra o absolutismo capitalista, a nobreza, a coroa, o clero. Numa manifestação de rua foi preso por bengalada e cusparada certeira no Rei da Itália. Sua popularidade vinha também da oratória fluente e arrebatada. Deputado pelo Partido Socialista Libertário italiano era caricaturado nos jornais que o mostravam exageradamente magro, curvado, de guarda-chuva em riste, a outra mão segurando um archote. Perseguido, pobre e doente pela tuberculose, parte para o Brasil (“Escolhi o Brasil porque era a terra de Anita Garibaldi”).  

Em 1904 Cesare Sartori é substituído em Urussanga pelo Dr. Francesco Giuseppe Maria Burzio, médico piemontês que mais tarde clinicará na Laguna, Ponta Grossa com pequena passagem por Curitiba.

A falta de um hospital para exercer a Medicina em sua plenitude deve ter motivado sua transferência para Lages. Sobe a serra em lombo de animal, cinco dias e cinco noites, e alcança Lages atrás de saúde e sustento aos 38 anos de idade (1905). O Hospital Nossa Senhora dos Prazeres em Lages é de 17.04.1900. Urussanga vai ter seu hospital em 1915.

Tubarão tinha Otto Feuerschuette desde 1910 a clinicar. Foi o segundo filho da cidade a formar-se em Medicina e o primeiro a regressar para exercer a profissão. Desde dezembro de 1904, padre Bernardo Freuser decidira dotar a cidade de Hospital. Em 3.5.1906 inaugurava o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC).

Na Laguna, em março/1856 uma comissão encarregada de criar um Hospital, alugou um depósito na Ponta do Bairro Magalhães. As ruínas ainda podem ser vistas, ao lado do Colégio “Stella Maris”.

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