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Adolpho Bloch, um gráfico - Parte 2

Por Henrique Packter 28/01/2021 - 16:22 Atualizado em 28/01/2021 - 16:25

OTTO LARA REZENDE, consagrado jornalista e escritor mineiro, radicado no RJ e redator da MANCHETE, contava histórias da predileção de Bloch. Uma delas, envolvia mulher maltratada pelo marido. Ele, voltando à tardinha do emprego, costumava fazer escala, passar em revista os botequins do centro da cidade. Ao chegar em casa, muita vez alta madrugada, mal reunia forças para engolir o requentado jantar. Nessas horas reclamava em altas vozes de tudo e de nada; até bater na mulher, já batera. E nunca chorara seu perdão.

Certo dia, chegando em casa, galos da  madrugada acordando o sol, encontra a mulher vestida para sair, pequena maleta e guarda-chuva nas mãos.

- Chega de tanta humilhação, diz ela. Chega de tanta ausência, de bebedeiras, desrespeito. Vou embora!

Imponente, ele responde, olheiras dramáticas, voz cavernosa de cigarros sem conta:

- Você tem toda razão! Estou de pleno acordo! Pera aí que vou apanhar minha mala, também vou contigo!

BOTEQUINS DO RJ

Como todo mundo sabe, a origens dos botequins foram as boticas, farmácias onde os homens se encontravam e também dos quiosques espalhados pelo Rio, que vendiam aguardente, cigarro. No Passeio Público ainda restam alguns.

Desde seu princípio,  botequins ou botecos, são locais importantes de transformações da cidade. De característica alegre, com música, comida e bebida, era local onde muita gente se reunia (e ainda se reúne) para conversar sobre futebol, política, economia, música popular... Olavo Bilac, Emílio de Menezes e Noel Rosa eram assíduos frequentadores de botequins.

– Nos botequins era onde as revoluções culturais aconteciam. Por isso, no Império, muitas boticas foram proibidas de funcionarem em determinados horários, a Corte temia possíveis reuniões de revoltosos, início de alguma revolução. Nos botequins também eram criados sambas, obras literárias e partidos, como é o caso do Bar Amarelinho, do chope famoso na Cinelândia, onde foi criado o Partido Comunista.

Alguém lembra de curiosa história envolvendo alunos do Pedro II que invadiram o Bar Luiz, durante a Segunda Guerra? O mais que centenário bar, de1887, tem uma cerveja gelada que vou te contar e a salada de batata, marca registrada do bar, é glória gastronômica de reconhecimento internacional. Ele se chamava Bar Adolf e os alunos pensaram ser uma homenagem a Hitler. O bar foi salvo por Ary Barroso que frequentava o local. E o caso do Zicartola, restaurante da Dona Zika e do Cartola, que funcionou por apenas 2 anos, apesar de ser famoso e ter originado o show Opinião e Rosa de Ouro? Durou pouco porque Cartola nunca cobrava dos amigos e todos eram amigos do Cartola. Outros, maldosamente afirmam que Cartola teria bebido o estoque todo.  Tem ainda o Bar da Brahma, o Bar Monteiro e uma infinidade de outros célebres templos de libação.

OS BARES DO RJ NA VISÃO DE BLOCH

Adolpho Bloch quando contestado com irritação e nervosismo pelo clã familiar diante de investimentos arrojados que empreendia, dizia coisas como: vá para o tranquilizante, o grande macete dos inquietos de nossos tempos de gloriosa circulação entre as cultas gentes. Apontava alternativas: os botecos do RJ. Ou chorar; lágrimas produzem milagres. Jesus chorou quando soube da morte de Lázaro e o ressuscitou.

CLASSIFICAÇÃO DA RAÇA  HUMANA SEGUNDO BLOCH

Bloch  definia as personagens de nosso tempo em duas categorias: os que têm boa presença e os que têm péssima ausência. Boa presença era quando todos falam bem de um sujeito presente. Péssima ausência era quando ausente, o sujeito monopolizava a conversa, cada qual juntando um graveto para queimá-lo na alegre pira da maledicência. Onde ele próprio estaria classificado?  (Continua) 3.649

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