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"Vestibular pra quê?"

Arthur Lessa
Por Arthur Lessa 30/04/2021 - 11:37

Durante os três anos do ensino médio, eu ouvi diversas vezes a mais repetida das perguntas: “vai fazer vestibular pra que?”.

Eu me sentia mal por não saber a resposta. Minhas opções à época passaram por psicologia, engenharia química, quiropraxia, medicina, biotecnologia, biologia e administração. Jornalismo era fora de questão naquele momento (irônico, não?).

Cursei meio ano de biologia, passei mais não cursei Administração, fiz cursinho para não ficar parado ao largar estes e, aos 18 anos, iniciei o curso de jornalismo, durante o qual cogitava migrar para Direito ou Publicidade. Eu não tinha convicção. Não houve um momento de “é isso que eu quero pra minha vida!”.

Ou seja... Escolhi um curso porque é o que estava no manual social: depois da escola, tem que ir para a faculdade. Quem não o faz é fracassado ou não tem condições para tal.

O que eu poderia ter feito na época era ter arranjado um emprego, ter aprendido sobre responsabilidade, sobre remuneração, sobre horários, metas e afins, além de “testar coisas”. E ter economizado o dinheiro dos meus pais, que pagaram (e não pouco) pelos semestres de cursos que “testei” e hoje não me acrescentam ferramenta profissional alguma.

Falando em ferramentas, outro ponto que aprendi na prática é que, antes de aprender a usar uma ferramenta, é importante saber para que você precisa dela. Explico com mais um exemplo pessoal.

Ao me formar em Jornalismo, fui trabalhar na Som Maior, onde meu pai era sócio. Por algum motivo (talvez ele mesmo tenha me sugerido) resolvi iniciar um curso de pós-graduação em Governança Corporativa. O curso era muito interessante, aprendi algumas coisas, mas absorvi muito menos do que poderia. Até por conta disso, de não ver grande utilidade e aplicabilidade aos novos conhecimentos que ia adquirindo, não concluí o curso. Eu aprendia a usar ferramentas e não tinha onde “treinar”. Quase como uma pessoa que tem uma CNH mas não dirige. Quando comprar um carro vai ter que aprender praticamente do zero (conheço alguém assim, inclusive).

Recentemente, coisa de três anos atrás, iniciei outra pós, desta vez em Gestão e Negócios. Já absorvi muito mais conhecimento que no curso anterior, seja pela maturidade da idade, seja pelo fato de estar me preparando para migrar da área de jornalismo para a administração da empresa. Mas foi em 2020 que fiz a transição, bastante antecipada, quase no susto, dias antes do estouro da pandemia. E, um ano depois, confirmo minha tese: faça antes, estude depois.

Muito do que me foi apresentado, principalmente nas áreas relacionadas à gestão financeira e contabilidade, não firmou como conhecimento de maneira mais concreta por falta de experiências anteriores para criar associações e gerando conhecimento. Em muitos momentos eu senti algo como “não sei o suficiente sobre o assunto nem para saber se tenho dúvidas”. A teoria, nesses casos, acaba não conversando com a realidade. E teoria por teoria não cria raiz.

Por consequência, atualmente tenho revisitado todo o material do curso para buscar, agora sim, as instruções e ferramentas que hoje sei que (e onde) preciso, além de buscar outros materiais relacionados, como o livro de onde tirei o trecho a seguir, retirado do livro “Contabilidade em Contexto” (de David Hastings), que me instigou a escrever este texto.

“[...] hoje, não é raro encontrar alunos com 16 anos.

Essa garotada é encantadora: são inteligentes, esforçados, divertidos... Mas têm pouca (quase nenhuma!) experiência de vida empresarial, o que dificulta seu entendimento do como, do porquê e do para quê da Contabilidade”

Outra provocação que tenho visto vem do Ricardo Schweitzer, analista da Nord Research, que, ao ser perguntado nas redes sociais sobre a melhor certificação para entrar no mercado financeiro, responde o seguinte: “parem de se preocupar com isso e, antes, arranjem um estágio/trabalho no mercado”.

Se eu tivesse agora a oportunidade de falar com o Arthur de 2003, não faria a pergunta do início do texto. No lugar, daria um conselho: arranje um trabalho, descubra no que você é bom e, quando souber que tipo de ferramentas precisa, você saberá qual é o curso certo.

4oito

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