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O “chapão” na disputa municipal

Texto publicado no Toda Sexta

Por Adelor Lessa 14/06/2021 - 07:10

Eleição de 2004 em Criciúma foi vencida por Décio Góes, mas quem assumiu foi Anderlei Antonelli.
Décio era prefeito, disputou reeleição, venceu, mas foi cassado por causa de uma irregularidade na divulgação da festa das etnias.
A palavra “feliz" foi determinante para o processo que levou à cassação.
Ela foi incluída no jingle da festa e na “música tema” da campanha da reeleição.
Além disso, a defesa não deu a importância que o caso merecia.
Tratou como um problema menor.

Um dia, preocupado com a situação, o advogado Gustavo Pedrollo, no gabinete do prefeito já reeleito mas ainda não “empossado”, pediu de maneira enfática e quase desesperada que cuidassem melhor do caso, dessem mais atenção, porque aquilo era sério, perigoso, ameaçador.

“Imagina se vão cassar um prefeito reeleito pelo voto popular por causa de uma bobagem daquela”, respondeu um dos assessores mais próximos de Décio.
Dias depois, saiu decisão do TRE, cassação de mandato determinada, e não reverteram mais.
Recorreram em todas as instâncias possíveis, mas de nada adiantou.
Nem a movimentação feita em Brasília, aproveitando a relação que Décio tinha com Lula, que havia assumido o poder no ano anterior.

Teve protestos, manifestações de rua, o parque em torno da Prefeitura foi tomado, muitas negociações encaminhadas, mas Décio não assumiu, a cassação foi mantida, e Antonelli foi prefeito.

Aquela também foi a primeira eleição que Clesio Salvaro disputou a prefeitura de Criciúma. Ficou em terceiro.
Depois, disputou quatro vezes na sequência. Ganhou todas, mas assumiu três.
Na de 2012, não levou porque havia sido tornado inelegível num processo judicial  por causa de casamentos comunitários que realizou quando ainda era deputado. Foi considerado abuso de poder econômico.

Altair Guidi também disputou a eleição 2004.
Indignado com “esquemas nada republicanos” de campanha de outros candidatos, no dia anterior à votação, ele fez discurso no “Café do Rubinho” defendendo "voto útil” em Décio.

No mesmo dia, circulavam carros de som pelos bairros anunciando que um dos candidatos havia desistido. Era fake. Nenhum candidato desistiu. Imaginem a correria.

Naquela eleição teve de tudo.

Teve até uma chapa que não existia.
Foi levada às ruas por um “santinho” distribuído em cada sinaleira, esquina, bar, e onde tinha mais de duas pessoas reunidas.

O impresso era no mesmo padrão, estilo, design, de todas as chapas.
Nomes, número, slogan:

LESSA / NASSIF
A FAVOR DA CIDADE
FM 1007

E fotos posadas. Típicas de candidatos.

Lessa, era eu. Nassif, o João. Nós não éramos candidatos, claro.
Mas, a rádio Som Maior estava lançando sua programação nova, com a introdução do jornalismo, que era uma novidade no FM da região.
E nós decidimos aproveitar o ambiente de eleição para a divulgação.

Para completar, publicamos “anúncio" no jornal da cidade.

No sábado pela manhã, praça Nereu Ramos tradicionalmente lotada, saímos os dois, juntos, distribuindo santinhos, como faziam todos os "candidatos".

Para dar resultado, e cumprir o efeito que queríamos, combinamos fazer pouca conversa, só um aperto de mão, santinho entregue, e um pedido: “contamos contigo”.    Foi um sucesso!!

Ouvimos de tudo. “Vocês são malucos”, “Boa idéia”, “Não, obrigado, não voto aqui”.

Mas, o que nós queríamos era que as pessoas ficassem curiosas,  provocadas, e lessem o santinho. E deu 100% certo. Foi gol. Missão cumprida.

A mostrar que a eleição de 2004 não foi apenas mais uma eleição.

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