Quase metade das ruas com estacionamento rotativo em Criciúma dá prejuízo à empresa responsável pelo serviço, a Gerestar. O dado foi levantado pelo vereador Nícola Martins, que alerta para outro ponto previsto no contrato: nas vias deficitárias, a Prefeitura pode subsidiar a operação.
Das 69 ruas atendidas pelo sistema, 30 tiveram resultado negativo entre janeiro e julho de 2026, segundo os cálculos apresentados pelo parlamentar em entrevista à Rádio Som Maior.
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Quase metade das ruas dá prejuízo à empresa
Ao solicitar os dados de faturamento do rotativo referentes a 2026, no período de janeiro a julho, Martins afirmou ter se surpreendido com o resultado, onde o valor arrecadado foi inferior ao montante de R$ 62 por vaga pago pela concessionária ao município, conforme previsto no contrato.
“Percebemos que cinco ruas operam no vermelho e que quase metade do sistema não sustenta nem o custo operacional mínimo de um monitor. Além disso, estamos falando de ruas essencialmente residenciais, algo que cobramos há bastante tempo e que, na nossa avaliação, não faz sentido dentro da lógica do sistema rotativo”, explicou Nícola Martins.
As ruas essencialmente residenciais que têm operado com déficit são: Padre Mello, Miguel Lotti, Cecília Darós Casagrande, Osvaldo Aranha e Leoni Perassoli. Ele sustenta que esse tipo de via não deveria contar com o sistema.
"Ruas essencialmente residenciais não tem lógica de existir rotativo, porque cria uma bolha", afirmou. Segundo ele, o carro que não encontra vaga na rua com rotativo se desloca para a rua vizinha sem regulamentação, lotando-a e pressionando a expansão do serviço para novas áreas.
Em contrapartida, apenas nove das 69, respondem por 50% de todo o faturamento líquido do sistema. São ruas como Getúlio Vargas, Santo Antônio, Marcos Rovaris, Rui Barbosa, João Pessoa, Lauro Müller, Florêncio Peixoto e Antônio De Lucca.
O contrato do rotativo prevê a possibilidade de subsídio da prefeitura à empresa justamente nas ruas deficitárias. Para Martins, isso pode levar a Câmara a debater, em breve, um subsídio público para bancar o estacionamento rotativo em vias que, segundo ele, nem deveriam contar com o serviço.
“Não estou aqui pedindo o fim do rotativo. Estou pedindo que ele exista onde faz sentido existir. E que pare de existir onde só serve para arrecadar de quem mora ali, sem contrapartida nenhuma para o sistema”, afirmou o vereador.
Vereador vai propor portal de transparência e aciona Ministério Público
Diante do cenário, Martins anunciou que vai apresentar um projeto de lei para criar um portal de transparência do rotativo, com atualização mensal dos dados de faturamento por rua. Ele também informou que vai encaminhar as informações ao Ministério Público, para anexação a um processo já em andamento desde o ano passado sobre o tema.
Denúncias de bônus por multa e falhas no aplicativo
A entrevista também abordou queixas de ouvintes sobre o funcionamento do rotativo. Questionado se os monitores recebem algum tipo de incentivo por aplicar multas, Martins confirmou que sim. Segundo relatos de monitores ouvidos por ele, os profissionais recebem um bônus classificado como "eficiência", vinculado ao número de notificações realizadas, o que, na avaliação do vereador, explica a concentração de fiscalização nas ruas de maior movimento.
Martins relatou ainda ter sido multado duas vezes na mesma vaga, em um episódio de dupla notificação, e afirmou que só conseguiu o ressarcimento por ter acionado diretamente um representante da Mobilidade e Trânsito de Criciúma (MTT) junto à empresa Gerestar, responsável pela operação do sistema. Para o vereador, o cidadão comum, sem esse tipo de acesso, tende a não conseguir reverter cobranças indevidas.
A redação do portal 4oito tentou contato com a Diretoria de Trânsito e Transportes de Criciúma (DTT), mas não obteve retorno até a publicação deste conteúdo. O espaço segue aberto.
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