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Os 72 anos do "mais querido" (VÍDEO)

Neste dia, em 1947, nascia o Comerciário Esporte Clube na sombra de uma figueira da praça Nereu Ramos
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 13/05/2019 - 11:50Atualizado em 13/05/2019 - 11:54
Reprodução / Portal Satc
Reprodução / Portal Satc

Era uma terça-feira, 13 de maio de 1947. O dia em que uma turma de entusiastas do futebol, carentes de um clube do Centro de Criciúma, o fizeram. Na sombra de uma figueira escolheram Comerciário Esporte Clube, já que muitos trabalhavam nas casas comerciais e não encontravam espaço no Atlético Operário, ou então no Próspera, Metropol e nos demais clubes da época.

Mal sabiam que nascia ali, há exatos 72 anos, o maior clube de futebol de Santa Catarina. Os pioneiros que a história guarda como fundadores do Comerciário foram Lédio Búrigo, Carlos Augusto Borba, Hercílio Guimarães, Mário Tuffi, Homero Borba, Ruy Possavante Rovaris, José Carlos Medeiros, Nelson Garcia e Jacó Della Giustina.

A notícia logo se espalhou e apenas dois dias depois da fundação o Comerciário já fazia seu primeiro jogo: uma derrota por 4 a 0 para o São Paulo, da Vila Operária. 

O saudoso Lédio Búrigo contou, certa vez, que a ideia de fundação do Comerciário partiu inicialmente de Carlos Borba e Hercílio Guimarães. Os 19 sócios que fundaram o clube partilharam o custo da primeira bola comprada para treinos e jogos. As camisas azuis originais foram feitas com tecidos doados pelo primeiro presidente, Sinval Rosário Bohrer, então proprietário das prestigiadas Casas Renner de Criciúma. Abaixo, a primeira diretoria:

Antenor Longo – Presidente de Honra

Sinval Rosário Bohrer – Presidente

Honório Búrigo – 2º Presidente

Eddio Barreiros Mello – 1º Secretário

Salentino Ramos – 2º Secretário

Jurê João Borba – 1º Tesoureiro

José Carlos Medeiros – 2º Tesoureiro

Carlos Augusto Borba – Técnico

Na primeira Assembleia Geral, em 8 de setembro de 1947, foi aprovado o estatuto de fundação com sete capítulos e 21 artigos, e outros nomes foram adicionados à lista de fundadores.

À época, o campeonato mais importante para os times da região era o Regional da Larm (Liga Atlética da Região Mineira). O Comerciário disputou desde a fundação da entidade, em 48, mas o primeiro título coube ao rival Atlético Operário. Daí veio o tricampeonato do Comerciário em 1949, 50 e 51.

O Comerciário bicampeão da Larm em 1950

Nesse meio tempo, a batalha pelo estádio começou. Os associados, já em maior número e estruturados, adquiriram uma área que seria urbanizada, murada e ganharia o estádio Heriberto Hülse, inaugurado em 1955 com uma derrota do time para o Imbituba, 1 a 0. No mesmo ano, o Comerciário voltou a ganhar o Regional da Larm, conquista repetida em 57, 58, 60, 61 e 75.

Em 1964 foi feita uma promoção regional, paralela ao campeonato, para a escolha do clube "mais querido". Venceu o Comerciário no voto popular. É dessa época a concepção do hino original do Comerciário, de autoria de Carlos Ernesto Lacombe, que permaneceu anos no anonimato, já que nunca foi gravado. Acabou resgatado por iniciativa do historiador Rodrigo Garcia da Rosa, que o fez chegar ao curso de Jornalismo da Faculdade Satc que, em um documentário produzido por acadêmicos em 2017, ofereceu uma inédita reprodução do velho hino. Confira no vídeo.

Hino do Comerciário

Autor: Carlos Ernesto Lacombe

 

Comerciário, de glórias e tradição
És o orgulho da Capital do Carvão
Sua torcida sempre a mais querida
Da Santa e bela Catarina

 

Eia, avante Comerciário
Eia, avante Bacharel
Por todos reconhecido
Como o clube mais querido

Quis o destino que o próprio Lacombe, anos depois, fosse o autor do hino do Criciúma Esporte Clube. Ele não esqueceu do Comerciário, ao citar "onde estiver o mais querido..." na letra que caiu no gosto popular até hoje.

Em 1978 a grande transformação tornava-se realidade. Em dificuldades, sob o pretexto de unir a cidade, o Comerciário dava lugar ao Criciúma Esporte Clube, que herdava a sua história - inclusive o título de campeão catarinense de 1968 -, o seu patrimônio e, em princípio, até as cores. Mudou em 1984 para o amarelo, preto e branco e daí aconteceu o que todos sabem, uma Copa do Brasil, mais títulos nacionais, diversas conquistas estaduais e a consagração do Tigre.

Para saudar essa história, o Criciúma promove um evento hoje, a partir das 18h, no pátio do Majestoso.