A obra que vai transformar a Serra do Fundo Grande, em Jacinto Machado, em uma nova rota turística já começou. O projeto prevê a implantação de um trecho com pouco mais de cinco quilômetros de extensão, criando uma ligação com o município de Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, e ampliando o potencial turístico da região.
Nesta fase inicial, os trabalhos estão concentrados nos serviços de corte e aterro do terreno. As etapas mais complexas da obra, que envolvem intervenções estruturais e demolições, ainda não têm prazo definido para começar.
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Segundo o diretor de Turismo de Jacinto Machado, Richard Cunha Cardoso, é difícil estabelecer um cronograma preciso para o avanço dos trabalhos devido a fatores como as condições climáticas e as particularidades da própria execução da obra.
“Não conseguimos prever os avanços da obra, pois dependemos das condições do tempo e do andamento dos serviços. É difícil saber se determinadas etapas serão concluídas na metade do prazo ou mais próximo do final da obra”, explica.
Acompanhamento ambiental
Por se tratar de uma intervenção em uma área de grande relevância ambiental, todo o processo está sendo acompanhado por especialistas. De acordo com Cardoso, o município mantém uma parceria com a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), que atua no monitoramento da fauna e da flora da região.
“Temos a parceria com a Unesc, onde diversos profissionais, entre eles biólogos, realizam o acompanhamento da fauna e da flora. Todo o trabalho está sendo feito de forma criteriosa para garantir a preservação da natureza e o cumprimento das exigências ambientais”, destaca.
A expectativa é que, após a conclusão, a nova rota impulsione o turismo na região, valorizando as belezas naturais da Serra do Fundo Grande e fortalecendo a integração entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Como será a nova rota da Serra do Fundo Grande
Com investimento de aproximadamente R$ 19 milhões, a obra da Serra do Fundo Grande tem início previsto para a próxima segunda-feira (13). O prazo de execução é de 24 meses, e a empresa responsável pelos trabalhos será a Terraplenagem Bendo Ltda., vencedora do processo licitatório.
A estrada terá pouco mais de cinco quilômetros de extensão e será construída com base em brita graduada compactada, tecnologia que garante boas condições de trafegabilidade sem a necessidade de pavimentação asfáltica. A proposta é manter a via integrada à paisagem natural da serra, valorizando o potencial turístico da região e preservando as características ambientais do local.
Segundo o coordenador do projeto, do Labs Cidades e professor da Unesc, Jóri Ramos Pereira, a escolha da estrutura busca equilibrar acessibilidade e preservação ambiental.
"Essa base é a última camada antes do asfalto e permitirá um caminho com belas vistas, totalmente inserido na natureza. O objetivo é preservar ao máximo o ambiente local", afirma.
O trajeto também contará com cercamentos em pontos estratégicos, instalados dos dois lados da via, para garantir a segurança dos visitantes e proteger a fauna que habita a região.
Obra exige cuidados especiais para preservar a natureza
A execução da estrada é considerada de alta complexidade devido às características do terreno, com curvas acentuadas, trechos íngremes e a presença de vegetação nativa exigem planejamento técnico detalhado para minimizar impactos ambientais.
De acordo com Pereira, o desafio é construir uma infraestrutura que respeite as particularidades da serra.
"Diferentemente do litoral, onde o terreno é mais plano, aqui encontramos muitas curvas, inclinações e vegetação nativa. Por isso, cada etapa é planejada tecnicamente para evitar grandes impactos ambientais", explica.
Nova estrada resgata antigo caminho dos tropeiros
Embora represente um novo investimento em infraestrutura e turismo, o trajeto tem forte ligação com a história da região. A rota utilizada pelo projeto já serviu, no passado, como passagem para os tropeiros que cruzavam a serra transportando mercadorias entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Segundo a secretária de Administração de Jacinto Machado, Ana Bellettini, o caminho faz parte da memória local e é amplamente conhecido pelos moradores. "Esse caminho já é muito conhecido na região, pois era utilizado pelos tropeiros", relata.
Além de criar uma nova ligação entre Jacinto Machado e Cambará do Sul (RS), a obra pretende resgatar esse patrimônio histórico, transformando a antiga trilha em uma rota turística capaz de impulsionar o desenvolvimento econômico da região e valorizar uma das paisagens mais emblemáticas do Sul catarinense.
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