Depois de décadas de espera, o avanço das obras da Serra do Fundo Grande é comemorado pelo prefeito de Jacinto Machado, Sander Just, como a concretização de uma luta histórica do município e de toda a região. Na última sexta-feira (17), ele esteve no local ao lado do deputado estadual Tiago Zilli para acompanhar de perto o andamento dos trabalhos.
Durante a visita, as lideranças percorreram o trecho em execução, conversaram com as equipes responsáveis e acompanharam o ritmo das máquinas, que trabalham na abertura da estrada, movimentação de terra e preparação da base.
"Quem conhece essa história sabe o quanto essa ligação foi sonhada. Hoje estamos vendo esse projeto acontecer de verdade", fala Just.
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Licenciamento ambiental levou cerca de cinco anos
Antes que as máquinas pudessem entrar em operação, um dos principais desafios foi a obtenção da Licença Ambiental de Instalação (LAI). O processo levou aproximadamente cinco anos e exigiu estudos técnicos, adequações ambientais e o trabalho conjunto de diferentes instituições para garantir a liberação da obra.
Durante esse período, Tiago Zilli atuou nas articulações junto ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), acompanhando o processo de licenciamento, considerado fundamental para o início dos trabalhos.
Segundo o deputado, além do investimento previsto para a primeira etapa, foi necessário superar um longo processo de licenciamento ambiental para que o projeto finalmente pudesse sair do papel.
"Foi um trabalho construído a muitas mãos, com responsabilidade, diálogo e persistência. Hoje é uma alegria ver esse sonho se transformando em realidade e as máquinas trabalhando", relata.
Obra prevê ligação entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul
Nesta primeira etapa, o Governo de Santa Catarina investe aproximadamente R$ 19 milhões na implantação de 5,6 quilômetros de estrada. O trecho fará a ligação entre a região da Serra da Pedra, em Jacinto Machado, no Sul catarinense, e Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, no alto da Serra Geral.
A implantação da Serra do Fundo Grande é considerada estratégica para a integração entre os dois estados. Quando concluída, a ligação deverá fortalecer o turismo, facilitar o escoamento da produção agrícola, melhorar a mobilidade e criar novas oportunidades de desenvolvimento para o Extremo Sul de Santa Catarina e a região dos Campos de Cima da Serra.
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Projeto é resultado de articulação de anos
As lideranças também fizeram questão de reconhecer a contribuição do ex-prefeito João Batista Mezzari, o Gaiola, que iniciou as primeiras articulações em defesa da implantação da Serra do Fundo Grande e ajudou a manter o projeto vivo durante anos.
Gaiola lembrou que a obra começou como um sonho distante, mas nunca deixou de acreditar no potencial da ligação entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
"Demos os primeiros passos, enfrentamos muitos desafios e hoje é emocionante ver esse projeto sair do papel. Essa conquista pertence a toda a nossa região", disse.
Tiago Zilli também destacou a importância de reconhecer quem participou dessa construção ao longo dos anos. Segundo ele, o ex-prefeito Gaiola teve papel fundamental ao iniciar o projeto e manter essa pauta como prioridade.
"Grandes obras acontecem quando diferentes pessoas trabalham pelo mesmo objetivo, cada etapa vencida até aqui é resultado desse esforço coletivo", finaliza.
Conheça a história do caminho
No passado, o trajeto era percorrido por tropeiros e utilizado tanto para o transporte e as atividades comerciais quanto como rota alternativa de fuga e ligação entre diferentes localidades. Segundo o secretário municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Eduardo Dominghini Tramontin, a região reúne características favoráveis ao desenvolvimento do turismo, por preservar áreas naturais e estar localizada entre o litoral e a serra.
“A nossa região tem tudo mapeado, com marcas na mata, pois as pessoas usavam as trilhas. Famílias que eram amigas se visitavam, mantendo o caminho sempre vivo. Temos uma junção de atrativos, como cachoeiras, rios, trilhas, montanhas e um turismo ecológico muito forte. Estamos entre a serra e o litoral, e isso é muito favorável”, destaca Tramontin.
Com a implantação da nova estrada, a expectativa é ampliar o potencial turístico da área, criando novas oportunidades e transformando o percurso em uma experiência diferenciada para os visitantes.
“Durante o trajeto, serão instalados totens com informações sobre o tropeirismo, os cânions, entre outras curiosidades”, explica.
Rota turística com novos planos para o futuro
O projeto também prevê outras iniciativas para os próximos anos. A longo prazo, a intenção é ampliar as atrações disponíveis ao longo da rota, tornando o caminho cada vez mais interessante para quem visita a região. Entre as possibilidades estão a instalação de mirantes, plataformas de observação e balanços panorâmicos.
“Nossa meta é que, em cinco a dez anos, possamos ampliar as atrações nessa rota, trazendo diversos pontos de interesse para quem passa por ela”, afirma o secretário.
Obras enfrentam desafios em área pouco explorada
Durante a execução da estrada, alguns obstáculos podem aparecer de forma inesperada. Conforme Tramontin, mesmo sendo um trecho de curta extensão, a área ainda é pouco conhecida e apresenta características geológicas que podem dificultar os trabalhos.
“Apesar dos estudos e mapeamentos, é um ambiente rochoso e não se sabe exatamente o que há no subsolo. Diferente de áreas com árvores, onde o solo é mais previsível, a rocha não se decompõe. Pode ser muito tranquilo ou pode apresentar dificuldades”, explica.
Turismo pode impulsionar economia regional
Além de aumentar o fluxo de visitantes, a nova rota tem potencial para estimular a permanência de turistas por mais tempo na região. A expectativa é que o aumento da circulação de pessoas gere reflexos positivos para o comércio, a gastronomia, a rede hoteleira e outros segmentos ligados ao turismo.
“Visitante é aquele que vem e passa o dia e turista é aquele que vem e pernoita. Com mais demanda, tudo cresce, como o setor hoteleiro, a gastronomia e o comércio. Com a Serra do Fundo Grande ganhando destaque, os municípios vizinhos também se beneficiam, pois o movimento acaba refletindo nas cidades próximas”, finaliza o secretário.
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