O fechamento repentino da Ponte Anita Garibaldi, na BR-101 em Laguna, transformou a região Sul de Santa Catarina em um cenário de "operação de guerra". Laudos técnicos de engenharia obtidos em primeira mão pelo deputado estadual Sérgio Guimarães, revelam que a interrupção total do trânsito foi motivada pelo rompimento de dois cabos de pós-tensão no vão central da estrutura.
Anteriormente em coletiva de imprensa, um dos diretores da Motiva classificou o caso como uma anomalia em um dos 90 cabos.
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No entanto, os relatórios técnicos das empresas Beltrame (SP) e Miranda Engenharia (RJ), contratadas pela própria concessionária, dizem que dois cabos se encontram rompidos, e com a recomendação do bloqueio imediato da ponte.
"No laudo de engenharia está escrito textualmente: 'cabo rompido'. Esse é o termo. Se há um problema de interpretação ou de termos técnicos entre o presidente da CCR e os engenheiros, isso não é problema nosso. O que vale é o que está no papel", ressalta o deputado estadual Sérgio Guimarães.
Causa de rompimento dos cabos ainda não foi identificado
Em resposta a questionamentos realizados pelo deputado, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a concessionária admitiu que ainda não identificou a patologia que causa o rompimento dos cabos.
"Passados todos esses dias, a empresa ainda não conseguiu achar a patologia do que está causando o rompimento desses cabos. É um problema complexo em uma superobra de arte que enfrenta o sal do mar e ventos fortíssimos", destaca o deputado.
"É importante dizer que esse mesmo problema também aconteceu em 2022, nessa mesma seção desse vão central, porém em cabos diferentes. Agora acontece novamente", explica.
Dez dias antes do bloqueio total, a concessionária já monitorava o local e havia solicitado à ANTT a limitação do excesso de carga de lixo para o máximo de 10 toneladas por eixo, evidenciando que a fadiga estrutural já preocupava os técnicos.
Reparo na estrutura estão sendo realizadas
Os trabalhos de reparo na estrutura estão ocorrendo 24 horas por dia. O cronograma atual prevê que as obras físicas de correção sejam concluídas no próximo dia 19. No dia seguinte, 20, serão emitidos novos laudos e realizados testes de carga estáticos e dinâmicos com a passagem de caminhões pesados.
Para cobrir os custos do imprevisto, a CCR ViaCosteira acionou o seguro de riscos operacionais da ponte, cuja apólice prevê um limite máximo de indenização de R$ 200 milhões.
O plano de ação detalhado enviado à ANTT estima que o custo emergencial específico deste reparo atual gira em torno de R$ 1,9 milhões.
Ponte da cabeçuda preocupa
Enquanto a estrutura principal segue interditada, o fluxo de veículos da BR-101 foi desviado para a antiga Ponte da Cabeçuda. A rota alternativa tem gerado congestionamentos e preocupação em relação à segurança viária.
"Fomos todos pegos de surpresa, a própria empresa, a comunidade, a economia está sofrendo. Se não fosse tão grave assim, eles não teriam interrompido o trânsito de uma hora para outra, trazendo esse caos para a região" complementa Guimarães
Na tentativa de mitigar o gargalo de quem tenta sair de Laguna, o traçado foi alterado recentemente, permitindo que os motoristas usem o início da ponte nova antes de acessar a marginal da rodovia.
Não houve qualquer estudo de impacto prévio na estrutura da Ponte da Cabeçuda, que há anos operava em ritmo estabilizado e sem fluxo pesado, e agora recebe toneladas de carga sem parar.
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