A ameaça de greve no Hospital Materno Infantil Santa Catarina (Hmisc), em Criciúma, expôs uma crise envolvendo atraso de salários, troca de gestão, insegurança trabalhista e dúvidas sobre os contratos da nova administradora da unidade.
Nos últimos dias, trabalhadores chegaram a anunciar uma possível paralisação caso os pagamentos atrasados não fossem realizados. A situação mobilizou o Governo do Estado, Ministério Público, sindicato e autoridades da região.
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O que é o Hmisc e por que a situação preocupa?
O Hospital Materno Infantil Santa Catarina é atualmente a única unidade da região carbonífera com estrutura para atendimentos de média e alta complexidade voltados para crianças e gestantes.
Segundo informações do Ministério Público de Santa Catarina, o hospital atende mais de 5 mil pacientes por mês e possui cerca de 45 pacientes internados atualmente. Por isso, qualquer possibilidade de paralisação gera preocupação entre autoridades, profissionais da saúde e famílias que dependem da unidade.
O que motivou a ameaça de greve?
Os trabalhadores do hospital reivindicavam o pagamento dos salários atrasados e das verbas rescisórias durante o processo de troca da administração.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde de Criciúma e Região (Sindisaúde), caso os pagamentos não fossem realizados até o meio-dia desta sexta-feira (29), os servidores entrariam em greve. No entanto, no fim da tarde dessa quinta-feira (28), uma decisão judicial mudou o cenário.
Liminar suspende possibilidade imediata de greve
No início da noite dessa quinta-feira, uma liminar autorizou o Governo de Santa Catarina a fazer a consignação judicial da última parcela devida ao Instituto Ideas, atual gestor do hospital.
Na prática, isso significa que o Estado poderá direcionar os recursos diretamente para garantir o pagamento dos trabalhadores.
Com a decisão, a possibilidade de paralisação imediata foi suspensa e a expectativa é de normalização dos atendimentos.
Troca de gestão do hospital
Até agora, o Hmisc era administrado pelo Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas). A partir de 1º de junho, a gestão passará para a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Bernardo do Campo.
Novo impasse: possível redução salarial
Mesmo com o avanço relacionado ao pagamento dos salários atrasados, um novo problema surgiu nas últimas horas. Segundo o Sindisaúde, trabalhadores foram informados de que a nova empresa poderia reduzir os salários entre 30% e 40%.
O presidente do sindicato, Cleber Cândido, afirmou que isso aumentou ainda mais a tensão entre os profissionais. “Não serve pagamento e a novidade que a gente tem ainda é pior. O instituto que está assumindo está reduzindo o salário dos trabalhadores em 30% até 40%. Então nós temos duas demandas agora, uma pela falta de salário e outra pela diminuição do salário”, declarou.
Apesar disso, fontes ouvidas pelo Portal 4oito afirmam que a nova empresa deverá manter os salários atuais dos trabalhadores. Até o momento, porém, não há confirmação oficial sobre os valores dos novos contratos.
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Sindicato diz que serviços essenciais seriam mantidos
Mesmo durante a possibilidade de greve, o sindicato afirma que os atendimentos essenciais continuariam funcionando. Segundo Cleber Cândido, o movimento ocorreria com escala mínima e sistema de revezamento entre os servidores.
“Os serviços essenciais serão mantidos e funcionarão com cerca de 50% do quadro de funcionários, em sistema de revezamento”, afirmou.
Atualmente, o hospital possui aproximadamente 380 a 400 trabalhadores.
Histórico de prejuízos preocupa categoria
Segundo o Sindisaúde, o medo dos trabalhadores não está ligado apenas à situação atual, mas também ao histórico de problemas enfrentados nos últimos anos. De acordo com Cleber Cândido, existem relatos antigos de prejuízos trabalhistas envolvendo FGTS, plano de saúde e empréstimos consignados.
“Já houve calote nos funcionários. Tivemos situações de FGTS não depositado, valores descontados do plano de saúde que não foram repassados, causando dificuldades para os trabalhadores utilizarem o convênio. O mesmo aconteceu com empréstimos consignados, onde o valor era descontado dos funcionários, mas não era repassado ao banco”, declarou.
O presidente do sindicato afirma que o receio da categoria é voltar a enfrentar perdas trabalhistas durante a nova mudança administrativa. “Nos últimos 10 a 12 anos os trabalhadores vêm sofrendo prejuízos. Por isso existe esse medo de novamente perder direitos e enfrentar novos problemas trabalhistas”, completou.
Ministério Público acompanha situação
O Ministério Público de Santa Catarina acompanha a crise e já notificou o Instituto Ideas para garantir a manutenção integral dos atendimentos hospitalares.
Entre as medidas cobradas estão:
• regularização das equipes;
• esclarecimentos sobre salários atrasados;
• manutenção dos serviços essenciais;
• informações sobre a transição da gestão;
• garantias de funcionamento da unidade.
A situação segue sendo monitorada por autoridades estaduais, sindicato e direção hospitalar.
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