Os primeiros diagnósticos realizados pela nova administradora do Hospital Materno Infantil Santa Catarina (Hmisc), em Criciúma, apontam para uma estrutura sucateada. A Irmandade Santa Casa de São Bernardo do Campo (SCSBC) assumiu a unidade no dia 1º de junho e já planeja intervenções urgentes para solucionar problemas graves de infraestrutura, que vão desde rachaduras profundas nas paredes até a presença de mofo. Em um dos pontos do Centro de Terapia Intensiva (CTI) Neonatal, basta um pequeno pulo para sentir o chão tremer.
Também foram constatados pontos críticos que exigem a renovação do mobiliário e reformas profundas em alas sensíveis, como o Pronto-Socorro. A Secretaria de Estado da Saúde foi informada sobre o diagnóstico e prepara um pacote de investimentos na ordem de R$ 15 milhões para os próximos cinco anos. Deste valor foram liberados R$ 1,2 milhão para a reforma imediata do Pronto Socorro Pediátrico.
O relatório apontou ainda que o crescimento do hospital provocou adaptações físicas que, atualmente, não atendem plenamente às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Antes da SCSBC, o Hmisc era administrado pelo Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas). A reportagem tentou contato com o instituto, mas não obteve êxito. O espaço segue aberto.
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Rachaduras e problemas na estrutura preocupam nova gestão
Entre os pontos de maior atenção identificados pela equipe técnica está a UTI Neonatal, que conta atualmente com 20 leitos. Uma vistoria no local revelou rachaduras visíveis em paredes e colunas, além de instabilidade em uma das áreas do piso. A própria reportagem percebeu o chão balançar ao ser submetido a impactos simples, o que levantou a suspeita de falhas no aterro ou da existência de vãos sob a laje.
"Nós já acionamos engenheiros para avaliar e emitir um relatório minucioso sobre as reais condições daquela área. Se o diagnóstico apontar um comprometimento severo, nossa prioridade absoluta é a segurança das crianças. Então faremos a realocação imediata do CTI para outra ala antes de iniciar as obras", explicou a diretora executiva assistencial do Hospital Materno Infantil, Francielle Gobira, em entrevista exclusiva ao 4oito.
Outro setor que passará por transformações é o pronto-socorro. Inicialmente, o edital de licitação previa apenas a ampliação da recepção externa. No entanto, após constatar infiltrações, banheiros degradados e problemas crônicos de mofo nas salas de apoio, a nova administração propôs ao Estado uma reforma integral do setor.
A intenção é executar as obras em regime integral para reduzir o período de impacto nos atendimentos.
Além destes pontos precários, o Hmisc conta também com uma estrutura nova onde estão recepção, uma das entradas para CTI pediátrico, entre outros serviços. "Aqui a gente não tem problema de estar fora das das normas da Anvisa, aqui está tudo certinho. Então aqui tem sala de estudos, tem conforto, tem copa, tem uma outra salinha de reunião, tem banheiros, tudo bem organizado", relata
Reestruturação tem início na próxima semana
A reestruturação planejada pela nova gestão já tem data para começar. A partir da próxima semana, serão iniciadas as obras no pronto-socorro infantil, que receberá um investimento significativo em sua estrutura.
“O secretário Diogo Demarchi já fez o primeiro repasse para início das obras, para que a gente comece uma reforma imediatamente. Na próxima semana nós já vamos começar a fazer a reforma do pronto-socorro infantil”, afirma a diretora administrativa e geral do Hospital Materno Infantil Santa Catarina (Hmisc), em Criciúma, Christiani Schwartz.
Além do pronto-socorro infantil, a diretora do Hmisc revelou que, a curto prazo, a UTI Neonatal e o estacionamento do hospital também passarão por reformas para atender às demandas da unidade.
“Está definido pela a equipe técnica, juntamente com o engenheiro, arquiteto e a secretaria, para começarmos a instalação do tomógrafo. Eu acredito que no espaço de 90 dias, máximo, a gente já tem um o primeiro tomógrafo do hospital”, revela a diretora.
Capacidade de atendimento vai aumentar em 25%
Christiani destacou que, além das melhorias estruturais no Hmisc, a capacidade de atendimento à população também será ampliada.
“Vamos aumentar uma média de 25% de todos os nossos serviços. Hoje o nosso ambulatório funciona de 7 às 17, nós estamos projetando de funcionar até as 19 horas. Justamente para que a gente possa atender toda a população”, complementa.
Logística assistencial também está entre as principais demandas
O hospital também enfrenta um desafio na logística assistencial. Setores como o Centro Cirúrgico e o Centro Obstétrico compartilham, por exemplo, a mesma sala de recuperação pós-operatória.
Na prática, pacientes com perfis completamente diferentes dividem o mesmo espaço em momentos de extrema vulnerabilidade.
A meta da nova gestão é aproveitar áreas atualmente ociosas, como recepções subutilizadas, para redimensionar as alas. Uma arquiteta especializada, responsável por projetos bem-sucedidos em outros setores do hospital, já foi contratada e trabalha na readequação desses espaços.
Hmisc busca fortalecer laços com a Unesc
Apesar do cenário, a gestão avalia a transição de forma positiva no que diz respeito ao apoio político e institucional. Um relatório estrutural completo, detalhando os pontos críticos e os riscos elétricos, já foi protocolado junto ao Governo do Estado.
O secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, visitou a unidade ainda na segunda semana da nova administração para verificar pessoalmente as demandas. Segundo os gestores, o Executivo estadual tem se mostrado um parceiro atuante e interessado em agilizar os repasses e os cronogramas.
A administração reforça que adequações temporárias nos fluxos já estão sendo planejadas para evitar o fechamento completo de alas e garantir que nenhum paciente fique sem assistência durante o período de obras.
As melhorias mais complexas são planejadas para o longo prazo, mas ações emergenciais de segurança e higiene já fazem parte da nova rotina hospitalar. Paralelamente, a direção busca retomar e fortalecer os laços com a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc).
“O hospital possui uma parceria ativa com a Unesc, abrigando estudantes de medicina e residentes em um Centro de Estudos reformado”, ressalta Francielle.
A meta, a médio prazo, é transformar oficialmente a unidade em um hospital-escola de excelência, ampliando o programa para residências multiprofissionais e introduzindo linhas de pesquisa científica voltadas ao atendimento da comunidade regional.
Investimentos feitos pelo Estado superam R$ 10 milhões
O pacote de investimentos realizado pelo Governo do Estado se junta a outros investimentos feitos recentemente no Hmisc. Ao portal 4oito, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) afirma que "tem como objetivo ampliar e aprimorar os serviços do Hospital Materno Infantil Santa Catarina" e que "com o novo modelo de gestão a iniciativa busca implementar novas estratégias para melhorar a qualidade e a abrangência do atendimento à população".
A SES afirma que implementará a ampliação das cirurgias da saúde da mulher, avançando em atendimentos de alta e média complexidade. Além do R$ 1,2 milhão liberado para a reforma imediata do Pronto Socorro Pediátrico, a SES repassou anteriormente R$ 6 milhões para obras e R$ 2 milhões para aquisição de equipamentos. "Em março deste ano, foi entregue a nova UTI Pediátrica com 10 leitos modernizados, que passou por reforma para ampliar e qualificar a assistência", sustenta a Secretaria de Estado da Saúde.
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