Os trabalhadores do Hospital Materno Infantil Santa Catarina (HMISC), em Criciúma, podem entrar em greve a partir das 13h desta sexta-feira (29) caso os salários não sejam pagos até o meio-dia. O alerta foi feito pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde de Criciúma e Região (Sindisaúde), Cleber Cândido.
Segundo ele, a categoria vive um clima de insegurança diante do histórico de problemas enfrentados nos últimos anos e destacou que os trabalhadores já sofreram prejuízos em outras situações envolvendo direitos trabalhistas.
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De acordo com ele, houve casos de valores descontados dos funcionários que não foram repassados corretamente, pagamento incorreto do FGTS e descaso com os direitos da categoria.
“Já aconteceu calote com os funcionários, onde tivemos problemas de FGTS que não foi depositado, valores descontados do plano de saúde que não foram repassados e os trabalhadores tiveram dificuldades para usar o convênio. O mesmo aconteceu com empréstimos consignados, onde o valor era descontado do salário, mas não chegava ao banco, causando muitos problemas para os funcionários”, explica.
Funcionamento acontece de forma parcial
Mesmo com a possibilidade de paralisação, o sindicato afirma que os atendimentos essenciais serão mantidos. A greve funcionará com escala mínima e revezamento entre os trabalhadores.
“Os serviços essenciais serão mantidos e deve funcionar com cerca de 50% do quadro de funcionários, em sistema de revezamento”, fala o presidente.
Além disso, Cândido ressalta que atualmente, o hospital conta com aproximadamente 380 trabalhadores e o receio da categoria é que os prejuízos trabalhistas se repitam.
“Nos últimos 10 a 12 anos os trabalhadores vêm sofrendo prejuízos. Por isso existe esse medo de novamente perder direitos e ficar sem garantias”, finaliza.
Hospital atende mais de 5 mil pacientes por mês
O HMISC é atualmente a única unidade da região carbonífera com capacidade para atendimentos de média e alta complexidade para crianças e gestantes.
Segundo informações do Ministério Público, o hospital atende mais de 5 mil pacientes por mês e possui atualmente cerca de 45 pacientes internados.
A equipe médica alertou que, sem equipes completas de enfermagem e assistência, os atendimentos podem ficar comprometidos.
Ministério Público cobra medidas urgentes
Diante da crise, a 5ª Promotoria de Justiça de Criciúma notificou o Ideas para que sejam tomadas medidas imediatas para garantir o funcionamento integral da unidade.
O documento cita problemas como:
• atrasos recorrentes de pagamentos;
• insegurança trabalhista;
• falta de medicamentos e insumos;
• ausência de comunicação institucional adequada;
• risco de paralisação dos serviços.
Além disso, o Ministério Público informou que mais de 130 atestados médicos foram apresentados por funcionários da unidade nos últimos dias.
O que o Ministério Público exige
A Promotoria determinou prazo de 24 horas para que sejam adotadas medidas como:
• manutenção integral dos atendimentos hospitalares;
• regularização das escalas médicas e de enfermagem;
• apresentação de um plano detalhado da transição da gestão;
• esclarecimentos sobre salários atrasados e verbas devidas;
• investigação sobre os mais de 130 atestados apresentados simultaneamente.
O órgão também alertou que poderá adotar medidas judiciais caso as recomendações não sejam cumpridas.
A equipe do Portal 4oito procurou o Ideas e até o fechamento da matéria não teve repostas. O portal está aberto para manifestação.
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