Levantamentos recentes mostram que o vício em apostas online tem atingido um público cada vez mais jovem no Brasil, com relatos de adolescentes de até 14 anos buscando ajuda em grupos de apoio, segundo reportagem da Radioagência Nacional (Agência Brasil). Uma pesquisa deste ano da Frente Parlamentar Mista de Educação, com quase 2 mil estudantes do ensino fundamental e médio, apontou que 9,5% dos entrevistados fizeram a primeira aposta aos 11 anos, e quase metade dos alunos do 3º ano do ensino médio já apostou em bets.
Segundo a reportagem, relatório do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) estima que ao menos 24 milhões de brasileiros apostaram em plataformas de jogos em 2024, e quase metade desse grupo acabou endividada. O diretor do instituto, Tiago Braga, reforça que apostas online não devem ser tratadas como investimento, já que o gasto compromete recursos destinados a despesas básicas, como aluguel, alimentação e educação.
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Cérebro em formação torna adolescentes mais vulneráveis, dizem especialistas
De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, jovens são mais suscetíveis ao vício em apostas porque as áreas do cérebro ligadas ao controle de impulsos e à avaliação de riscos só amadurecem completamente por volta dos 20 anos, enquanto os circuitos de prazer e recompensa já funcionam em ritmo acelerado nessa fase da vida.
A facilidade de acesso via celular também é apontada como fator de risco. Dados do Unicef de 2021, ainda considerados atuais, mostram que uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar antes dos 11 anos, número que sobe para 78% a partir dos 12 anos.
Endividamento por apostas também afeta acesso ao ensino superior
Uma pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) revelou que 34% dos entrevistados afirmaram que precisariam parar de gastar com apostas para conseguir iniciar uma graduação em 2026. Entre os que já estão cursando o ensino superior, 14% relataram atraso em mensalidades ou trancamento de curso por causa dos gastos com bets.
Lei restringe acesso de menores de idade a apostas e redes sociais
Para tentar conter o avanço do problema entre crianças e adolescentes, o governo federal sancionou em 2025 o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital, em vigor desde março deste ano. A legislação proíbe que menores de 18 anos apostem online, restringe o uso de redes sociais por menores de 16 anos sem vínculo com responsáveis e veda o acesso a loot boxes, caixas de itens aleatórios pagas que se assemelham a jogos de azar.
Segundo a reportagem, a lei também amplia a responsabilidade de plataformas digitais, famílias, escolas e do próprio poder público na fiscalização do ambiente virtual voltado a crianças e adolescentes, além de proibir publicidade velada por parte de influenciadores mirins.
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