Sinônimo de coragem ganhou um novo significado e agora pode ser associado a Michaela Fregonese. A surfista paranaense vem fazendo história no surfe de ondas gigantes e, na última segunda-feira (11), escreveu mais um capítulo em uma jornada repleta de conquistas e motivos para inspirar dentro e fora do mar.
Foi nas águas da Laje da Jaguá que ela garantiu o recorde de maior onda já surfada por uma mulher no Brasil. O resultado oficial do tamanho da onda ainda não foi divulgado, mas pode colocar Michaela também como dona do recorde geral brasileiro.
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Por trás desse feito existe uma sonhadora que começou como surfista de fim de semana, passou pelo surfe de ondas regulares e se encontrou de verdade na adrenalina das ondas gigantes.
Início no surfe e a descoberta das ondas grandes
Natural de Curitiba, Michaela começou a deslizar nas ondas aos 12 anos e, aos poucos, foi evoluindo e buscando novos desafios. A grande virada aconteceu após se mudar para Florianópolis para cursar faculdade de Turismo. O contato constante com a praia incentivou a participação em campeonatos.
"No começo só conseguia surfar aos finais de semana, pois morava longe da praia. Comecei no bodyboard, fui para a pranchinha e assim fui evoluindo. Depois que me mudei para a ilha, comecei a competir, mas nunca me destacava em ondas pequenas, só quando o mar estava grande", relembra.
Experiências internacionais e a decisão pelo big surf
Buscando novos horizontes, a surfista morou no Havaí e na Indonésia. Mas foi em Puerto Escondido, no México, que uma experiência mudou seu rumo.
"Estava lá surfando e, ao mesmo tempo, acontecia um campeonato de ondas gigantes. Peguei um tubo incrível e, naquele momento, decidi que queria ser surfista de ondas gigantes", recorda.
Após essa decisão, Michaela não parou mais. Em 2017, aos 35 anos e já mãe, foi morar em Nazaré, em Portugal, para proporcionar melhor qualidade de vida ao filho Vitório e ganhar experiência na modalidade.
"Nazaré foi uma grande escola, me proporcionou muitas coisas boas e tenho essa sensação até hoje", afirma.
Prêmios e conquistas marcaram 2025
Além do novo recorde no Brasil, Michaela ganhou destaque internacional ao surfar uma onda de aproximadamente 21 metros em Peahi, no Havaí, conhecido mundialmente como Jaws. A conquista rendeu os troféus de "Onda do Ano" e "Maior Onda do Ano" na categoria feminina.
"Essas conquistas foram muito especiais e um grande marco na minha carreira", diz.
A mente trabalha antes de qualquer movimento
Para Michaela, o segredo das ondas gigantes está no preparo mental, manter a concentração é fundamental para completar a onda com segurança.
"Na hora a gente pensa em concluir a onda, prestar atenção nos detalhes e no ritmo. Se cair, é um grande problema. O preparo começa no dia a dia, cuidando da alimentação, treinando muito no mar e, quando o mar não está bom, treinando na academia", explica.
Legado e inspiração para outras mulheres
A recordista acredita que o surfe ainda é um ambiente majoritariamente masculino e que muitos tabus precisam ser quebrados. Entre os próximos objetivos, ela quer se aperfeiçoar na pilotagem de jet ski, função essencial no surfe de ondas gigantes.
"O surfe ainda é formado por 95% de homens e muitos não aceitam mulheres surfarem tão bem quanto ou melhor que eles. Quero deixar um legado, mostrar que podemos bater recordes e fazer história. Agora estou me aperfeiçoando para pilotar jet ski e mostrar que as mulheres também podem exercer esse papel", finaliza.
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