A Azul já definiu o avião que vai operar na ligação entre o aeroporto de Forquilhinha e São Paulo. Trata-se de um ATR 72, uma aeronave bimotor, com capacidade de transportar até 70 passageiros, e que promete impulsionar a economia da região Sul de Santa Catarina.
A negociação com a Azul ainda não foi concluída. Segundo o diretor de Relações Institucionais do Aeroporto Diomício Freitas, Luiz Carlos Machado, a proposta é que o voo funcione como as rotas que a companhia já opera a partir de Campinas, Belo Horizonte e Recife. “São os três hubs em que ela deixa os aviões e, dali, faz a ligação para as cidades menores. É isso que se pretende fazer para Forquilhinha.”
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Hélice não significa avião antigo
O ATR 72 é fabricado na França desde a década de 1980 pela ATR, empresa criada por fabricantes europeus, e já passou de mil unidades vendidas. A versão 600 usa dois motores Pratt & Whitney PW127, voa a cerca de 500 quilômetros por hora e chega a 7,6 mil metros de altitude. O alcance é de aproximadamente 1,5 mil quilômetros, e cada unidade nova custa em torno de US$ 25 milhões.
As hélices aparentes costumam passar a impressão de tecnologia ultrapassada, mas para Machado a diferença em relação aos jatos está na potência, e não na segurança. “As pás do avião a hélice são expostas, e as palhetas do motor de um jato são embutidas. O avião a hélice tem uma potência menor porque o peso dele é menor. Mas a segurança é igual, não existe diferenciação.”
Para rotas curtas, o turboélice também costuma ser mais econômico. Em trechos de mais de 750 quilômetros, os jatos passam a compensar pela velocidade. A distância entre Forquilhinha e Campinas, em linha reta, é de cerca de 680 quilômetros.
Caravan do VOA+SC tem um motor e nove lugares
Diferente do ATR, o avião que já opera em Forquilhinha pelo VOA+SC tem um motor só. O Cessna 208 Caravan é fabricado nos Estados Unidos e comporta até 14 passageiros, mas na configuração do programa estadual leva nove. Ele voa a cerca de 340 quilômetros por hora e decola com no máximo 3,9 toneladas.
O que o Caravan perde em tamanho, ganha em versatilidade. O avião precisa de cerca de 700 metros de pista para decolar, por isso consegue operar em aeroportos pequenos. Com flutuadores, pousa até na água. Também é possível retirar os assentos para transportar carga, recurso que o governo prevê usar em emergências como desastres naturais.
O modelo fez o primeiro voo em 1982 e teve parte do desenvolvimento bancada pela FedEx, que precisava de um avião barato de operar para levar encomendas pelo interior dos Estados Unidos. A empresa encomendou unidades antes mesmo da aprovação do projeto, o que ajudou a transformar o Caravan em sucesso de vendas. Somando as versões Caravan e Grand Caravan, já foram entregues mais de 1,7 mil aviões.
Um avião faz a ida e a volta
Se a rota for confirmada, a operação deve começar com pelo menos um voo por dia, feito por um único avião que sai de Campinas, pousa em Forquilhinha e retorna. Segundo Machado, é o modelo de bate-volta usado pela companhia em todo o país.
O diretor diz que o aeroporto tem estudos que apontam demanda maior, mas prefere não detalhar a proposta antes de conversar com a Azul. “A princípio, a gente vai começar com uma operação básica. E aí a região é que vai ter que responder para que isso se expanda.”
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