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Cecrisa: Há um ano, a meta era crescer ainda mais

Venda ontem consumada, junto com a Cerâmica Portinari, para a Duratex, é vista com otimismo
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 23/05/2019 - 06:15
A sede da Cecrisa em 2013 no Bairro Próspera, em Criciúma / Divulgação
A sede da Cecrisa em 2013 no Bairro Próspera, em Criciúma / Divulgação

A nota ontem à noite divulgada pela direção da Cecrisa Revestimentos Cerâmicas e da Cerâmica Portinari, de Criciúma, revestia de otimismo a transação recém consumada com a Duratex S.A., de São Paulo, nova proprietária das marcas criciumenses em um negócio de mais de R$ 539 milhões, transação noticiada pelo blog do jornalista Adelor Lessa no 4oito.

"Esta operação produzirá significativos impactos para o setor de revestimentos cerâmicos brasileiros, com benefícios extensivos aos clientes, fornecedores, profissionais da empresa e comunidades nas quais está inserida", anunciou o diretor presidente José Zimmermann Junior. Confira a nota na íntegra.

Uma das linhas de produção da Cecrisa em Criciúma

A venda entra no rol dos negócios milionários envolvendo o segmento cerâmico na região sul de Santa Catarina. Tem havido um por ano. Em 2017 foi a Ceusa que, por R$ 280 milhões, passou às mãos da mesma Duratex que agora comprou Cecrisa e Portinari. Em 2018 coube à norte-americana Mohawk aplicar mais de R$ 950 milhões para assumir a Eliane, de Cocal do Sul.

Uma gigante no comando

A nova proprietária da Cecrisa e da Portinari é uma gigante com valor de mercado estimado em R$ 6,8 bilhões. Conta com mais de 11 mil colaboradores, tem sede em São Paulo e faturou, em 2017, R$ 3,9 bilhões. A Duratex incorpora as duas marcas de Criciúma a um amplo mix que já conta com Deca, Hydra, Durafloor e a Ceusa.

A Cecrisa já não vinha sendo "100% criciumense" faz algum tempo. Ela reinou no mercado cerâmico brasileiro entre os anos 70 e 80, entrando em crise e chegando a concordata no começo dos anos 90. Foi recuperada até ser adquirida pelo grupo Vinci Partners em 2012, por R$ 250 milhões pagos por 77% das ações, já que os demais 23% ficaram com a família Freitas, do fundador Manoel Dilor de Freitas. Agora, o investimento da Duratex é de 100%, pulverizando os cotistas.

Mas é inegável o vínculo local e histórico da Cecrisa. E um grande momento neste sentido foi vivido em 1995, quando a marca, estampando a camisa do Criciúma, trouxe o designer Hans Donner para o lançamento de uma camisa diferenciada, que marcou época no futebol brasileiro.

A Cecrisa na camisa do Criciúma em 1995 / Foto: Blog do Majestoso

Como vinha a Cecrisa

Em 20 de março de 2018 o jornal Valor Econômico publicou uma entrevista com o diretor presidente da Cecrisa, José Zimmermann Junior, na qual ele desenhava um cenário absolutamente animador e de prosperidade para a empresa. Nos dois primeiros meses do ano passado, a Cecrisa havia expandido sua receita em 20%. "O processo de mudança de mix está estabilizado, e agora temos crescimento de faturamento", anunciava.

Em março de 2018 a Cecrisa era manchete no Valor Econômico

Dizia mais a reportagem da jornalista Chiara Quintão:

Neste início de ano, a comercialização da terceira maior empresa do segmento cerâmico em faturamento têm crescido para revendas e para o segmento de redes varejistas do canal engenharia. O aumento da comercialização para obras residenciais do canal engenharia tende a ocorrer a partir do fim deste ano, segundo Zimmerman, em função da defasagem entre lançamentos e início das construções. A fatia de vendas para o varejo cresceu de 51%, em 2016, para 62% no ano passado.

 

A estratégia da fabricante de revestimentos cerâmicos de privilegiar margens em relação a volumes resultou na reversão do prejuízo de R$ 24 milhões de 2016 para lucro líquido de R$ 39 milhões em 2017. A Cecrisa faturou R$ 560 milhões, valor estável ante a receita do ano anterior. Com o aumento da participação de produtos maiores e mais sofisticados no mix, o volume vendido teve queda de 10%. Já a margem bruta aumentou de 27% para 35%, e o Ebtida cresceu 61%, para R$ 104 milhões. 

 

Até fevereiro, a expansão da receita foi de 20%, enquanto o Ebitda subiu 40% na comparação anual. Cortes de custos realizados nos últimos anos também contribuíram para a melhora do resultado líquido. No fim de 2015, a Cecrisa fechou unidade de Tubarão (SC) e, em meados de 2016, encerrou as atividades da fábrica de Anápolis (GO). 

 

Segundo Zimmermann, esses volumes foram mais do que compensados pela instalação de linha adicional de produção em Criciúma (SC), na qual a Cecrisa investiu R$ 130 milhões. No ano passado, a empresa produziu 18 milhões de metros quadrados de revestimentos cerâmicos e vendeu 19 milhões de metros quadrados. A diferença de um milhão de metros quadrados foi produzida por terceiros no mercado nacional, na Itália, Turquia, Índia e China. Parte da produção terceirizada por fabricantes externos se destina ao consumo brasileiro. Trata-se de tipologias que não vale a pena fabricar, segundo o executivo.

 

As exportações caíram de 15% das vendas totais, em 2016, para 12%, com a decisão da Cecrisa de sair de mercados não lucrativos, como a Europa. Para este ano, os investimentos previstos pela Cecrisa somam R$ 20 milhões. Do total, R$ 5 milhões irão para equipamentos para produzir lançamentos.

A Cecrisa em 2013

Da reportagem do Valor Econômico em março de 2018 para um comunicado emitido pela Cecrisa, então nos primeiros meses da gestão da Vinci Partners. Em junho de 2013 a empresa, ainda com a sua sede operando no Bairro Próspera, em Criciúma, fazia distribuir notícia na qual informava sobre os seus 47 anos:

A Cecrisa Revestimentos Cerâmicos S.A completa 47 anos de fundação neste sábado, 8 de junho. A empresa foi constituída em 1966 pelo empresário Manoel Dilor de Freitas, filho de Diomício Freitas, nesta época era chamada de Cerâmica Criciúma S.A.

 

Os primeiros azulejos saíram da linha de produção em 11 de abril de 1971. Desde então a empresa vem seguindo com seu arrojado programa de expansão. Inovação e pioneirismo sempre foram fatores marcantes na vida da Cecrisa.

 

O supervisor de Recursos Humanos, Gilmar Demboski, está na empresa há 36 anos e teve oportunidade de crescer junto com ela. “Entrei na Cecrisa em 1977, no setor de produção. É uma empresa muito boa, sempre tive liberdade e pude expressar minhas opiniões. Com comprometimento e graças ao reconhecimento dos meus supervisores cheguei a um cargo de liderança. Gosto muito daqui, só tenho a agradecer”, conta Demboski.

 

Jocastra Marcelino começou como menor aprendiz e há menos de um mês foi promovida a auxiliar administrativo. “Eu gosto muito de trabalhar aqui, desde que comecei me esforcei ao máximo. É uma empresa que valoriza muito os profissionais, e através dessa valorização que cheguei até aqui. Vou sempre aprimorar meus conhecimentos para continuar crescendo”, explica.

 

Todo o trabalho desenvolvido pela Cecrisa é reconhecido. No guia “Exame – Você S/A” a Cecrisa é apontada pela sexta vez consecutiva como uma das 150 melhores empresas para você trabalhar no Brasil. 

 

Ao longo desses 47 anos, o crescimento da Cecrisa veio acompanhado de responsabilidade social e ambiental, valores importantes, incorporados no dia-a-dia da empresa. Prova disso, é a sua participação ativa na comunidade, apoiando atividades sociais, educativas e esportivas. Entre as ações destaca-se o patrocínio ao esporte amador, com a Taça Cecrisa, campeonato consolidado, que está na sua 21ª edição. 

A Cecrisa S.A. é uma companhia de sociedade anônima de capital fechado que produz e comercializa porcellanatos e revestimentos cerâmicos com as marcas Cerâmica Portinari e Cecrisa. Conta com um escritório corporativo e duas unidades industriais em Criciúma, e mais três unidades industriais em Tubarão - SC, Santa Luzia - MG e Anápolis - GO.

 

Sua produção é de aproximadamente 23 milhões de metros quadrados por ano. É integrada por Regionais de Vendas instaladas nas principais cidades e capitais do País. E exporta seus produtos para mais de 50 países, em 5 continentes.

 

Comunicação Social da Cecrisa, em 7/6/2013.