A distribuição de emendas parlamentares no Congresso Nacional voltou ao centro de debates sobre transparência, rastreabilidade e moralidade na aplicação do dinheiro público. Em entrevista à Rádio Som Maior, Bianca Barchi, analista sênior da Transparência Brasil, detalhou apurações da entidade que revelam como é feito a ocultação de verbas das emendas parlamentares.
Entre o que foi apurado, a Câmara dos Deputados ocultou a autoria de R$ 1,3 bilhão em emendas durante o ano de 2025, utilizando manobras burocráticas para impedir que a sociedade saiba quem indicou os recursos e para onde eles foram destinados.
LEIA MAIS
- Prazo para escolha dos candidatos às eleições de 2026 começa nesta segunda-feira
- Em prisão domiciliar, Bolsonaro tem visitas suspensas e sofre novas restrições do STF
- CCJ aprova PEC que torna imprescritível estupro contra menores de 12 anos
"É uma verdadeira farra, e o principal problema é justamente a falta de transparência e de rastreabilidade. Não se consegue saber a que tipo de política pública esse recurso se destina", ressalta Bianca Barchi, Analista Sênior da Transparência Brasil
Emendas de comissão movimentam mais de R$ 9,3 bilhões
Com a derrubada do orçamento secreto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no final de 2022, o Congresso promoveu uma migração em massa de recursos para as emendas de comissão.
Diferente do Senado, que manteve a indicação nominal dos parlamentares, a Câmara dos Deputados passou a registrar os repasses sob a rubrica genérica de "liderança de partido". Esse carimbo apaga a digital do deputado responsável pela negociação, impossibilitando a fiscalização dos órgãos de controle e da população.
Em apenas três anos, o montante reservado às emendas de comissão saltou de R$ 130 milhões para R$ 9,3 bilhões, multiplicando o valor por 68. Para o orçamento total do Congresso, a cota dessa categoria atinge R$ 11,7 bilhões.
Somando as modalidades individuais e bancadas, o volume total sob controle do legislativo ultrapassa os R$ 30 bilhões.
Políticos sem mandato distribuindo verbas públicas
A blindagem proporcionada pelas "emendas de liderança" abriu brecha para um fenômeno ainda mais grave: a interferência direta de políticos cassados e sem mandato na alocação de recursos públicos.
Investigações da Polícia Federal, cruzadas com a base de dados da Transparência Brasil, identificaram que ex-parlamentares continuam operando o orçamento da União por meio de sua influência nas cúpulas partidárias.
DEIXE AQUI SEU PALPITE PARA O JOGO DO CRICIÚMA!